BENITO BAD BUNNY – QUE GRATA SURPRESA!
Na
revista National Geographic li sobre uma comunidade oculta entre montanhas
texanas que era um fóssil sociológico, inclusive falava o espanhol do tempo de
Cervantes. Bem mais tarde, em Houston, contestei um historiador local que dizia
ser o Alamo marco da vitória contra invasores mexicanos. Acrescentei que o
próprio Houston, para nós latinos, poderia ser classificado como genocida. Ele
educadamente se desculpou. Recentemente Trump mudou, como dono do mundo, o nome
do Golfo do México para Golfo dos EUA. Certa vez, um colega regressado dos EUA
aconselhou quem pretendesse estagiar lá evitar, como ele, os latinos. Perguntei
como conseguiu, se sua aparência era de chicano. Em Miami, na Universidade,
expus nossa inovação no ensino e repeti várias vezes Florída, com acento no i,
e não Flórida, e também Miami e não Maiami – com aplauso de estudantes e
docentes. Visitando ali vários hospitais universitários, anotei uma hierarquia
de auxiliares, para cada pavimento, de cima pra baixo: brancos, latinos, pretos
e, no porão, asiáticos. Nas artes, anotei que gente de sucesso, até mesmo
italianos, anglicizavam seu nome para a mídia. Francesco Alberto era Frank
Sinatra, Concetta Franconero era Connie Francis, Antonio Benedetto era Tony Bennett,
enquanto os mexicanos Antonio Oaxaca era Anthony Quinn e Margarita Cansino era
Rita Hayworth. As canções latinas Comme d'Habitude e O Sole Mio
são travestidas em My Way e It´s Now or Never. Agora, súbito, o
popstar porto-riquenho Bad Bunny (Benito, por enquanto anglicizado), lava a
alma dos latinos em estrondoso show, na final do futebol americano (NFL), proclamando,
EM ESPANHOL, seu orgulho ibero-americano.
