João Amílcar Salgado

domingo, 12 de abril de 2026

 


CARLOS AMÍLCAR SALGADO

João Amílcar Salgado

            Privilegiado por uma formação educacional e científica propiciada por pais pedagogos e cientistas, cedo se mostrou hábil no futebol, talentoso no humorismo e simpaticíssimo no companheirismo junto a crescente turma de amigos constantes. Embora não necessitasse, quis logo ser pessoalmente independente e se tornou cuidadoso fiscal sanitário, quando acumulou conhecimento e experiencia, que depois lhe foram preciosos. Analogamente, ingressou na Polícia Militar, hoje distinguido com a patente de Coronel. Demais, é elogiado cafeicultor e, na tradição de família, fruticultor. Desde estudante de medicina, beneficiou-se com os frequentadores do Centro de Memória da Medicina (Cememor), em particular com os ensinamentos indeléveis do ecologista Camilo Assis Fonseca e do admirável Manuelzão, personagem altissonante de Guimarães Rosa.  Coisa semelhante ocorreu na residência médica, com a regalia de ser discípulo de um escrete formado por José Luiz Ratton, Lúcia Foscarini, Davidson Pires de Lima,  Ciro Buldrini e Luiz de Paula Castro - no ambulatório, na enfermaria e no CTI. Com isso se fez enciclopédico na atualização diagnóstica e terapêutica.   O tema da resolubilidade em saúde passou a sua preocupação permanente, o qual inspirou suas teses e o credenciou a dinâmico desempenho em alto posto no Ministério da Saúde, ora alvo do aplauso de seus pares e das comunidades pelo Brasil afora.

sábado, 11 de abril de 2026

 JOSÉ E SEBASTIÃO DE ABREU

 


JOÃO CARLOS DI GENIO

O noticiário sobre o estelionato sofrido pelos herdeiros do magnata João Carlos  Di Genio me leva a lembrar este meu concorrente estudantil. O Di Gênio e eu, na mesma época, passamos em 1º lugar no concurso vestibular para a medicina, ele na USP e eu na UFMG. E fomos primeiros em duas faculdades. Nossa proeza nos levou a criar cursos vestibulares que ensinassem vestibulandos a conquistarem pódio igual. O curso dele veio a ser uma megaempresa e o meu foi o contrário, ou seja, gratuito no diretório acadêmico, para vestibulandos carentes. O cursinho dele começou como Cursinho Objetivo, que se agigantou, tornando se uma universidade, a Unip, gigantesca. O meu, e de meus comparsas Marcos de Mares Guia, Angelo Machado, Guilherme Cabral, Lineu Freire Maia, Armando Gil Almeida Neves, Sebastião Pereira e Jader Siqueira, fez tanto sucesso que se bifurcou na unidade universitária Colégio Técnico da UFMG e no curso lucrativo Pitágoras. Este se agigantou como megaempresa também, chegando a mulinacional.

No início da explosão dos cursos de medicina de fim de semana, avisei a meu amigo Adib Jatene que seu ex-aluno Di Genio e Drauzio Varella estavam fundando o curso médico do Objetivo. Para isso faziam lobby no então corrupto Conselho Federal de Educação. O Adib procurou o Di Genio e este adiou o processo. Mais tarde Jatene e eu fomos convidados pelo Di Genio para um jantar com o Florestan Fernandes, eleito deputado com apoio dele. Era para concordarmos com a criação do curso, com a alegação de que seria de ponta, obedecendo as ideias pedagógicas do Adib, ou seja, minhas. Meu amigo foi e eu me recusei.

segunda-feira, 30 de março de 2026


PRIMEIRO HERÓI CONTRA O ASSÉDIO

Neste carnaval de 2026, o assédio sexual recebeu grande ênfase, oportunidade para lembrar frei LUÍS SALGADO, o primeiro defensor, no Brasil, de escravas vítimas de tal crime. Frei Luís de Santa Teresa, ou D. Luís Salgado de Castilho, Carmelita, de Lisboa, nascido em 1693, diplomado por Coimbra em Filosofia e Teologia, disciplinas que aí leccionou, mostrando dotes de grande inteligência e erudição. Nomeado corregedor da cidade, depressa renunciou, para seguir a carreira religiosa, como carmelita descalço. Passou a mestre no Colégio de S. José de Coimbra, onde de novo mostrou grande brilho intelectual, e em seguida a Santa Cruz do Buçaco. Foi nomeado Bispo de Pernambuco em 1738, sagrado na Sé de Lisboa, cargo ocupado entre 1739 e 1753. Foi verdadeiro pastor, visitando todas as povoações do interior e executou reformas da moral e dos costumes, sobretudo a protecção das escravas contra os despudores de que eram vítimas. Tutelou várias casas de clausura femininas, como o Recolhimento do Paraíso dos Afogados e o de Nossa Senhora da Conceição de Olinda, e envolveu-se pessoalmente em querelas, nas quais representou e defendeu as escravas. Os poderosos de Pernambuco exigiram do rei D. José sua remoção. De volta a Lisboa, retirou-se para a Quinta da Granja da Paradela (ou do Barruncho), em Loures, propriedade de sua sobrinha Antónia Mariana Teresa Salgado de Vargas, onde morreu em 1759. Foi sepultado no Convento de S. João da Cruz de Carnide, na Capela-Mor. Foi sugerida sua beatificação. Anexo o retrato imaginário de frei Luís.

 



 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 


BENITO BAD BUNNY – QUE GRATA SURPRESA!

Na revista National Geographic li sobre uma comunidade oculta entre montanhas texanas que era um fóssil sociológico, inclusive falava o espanhol do tempo de Cervantes. Bem mais tarde, em Houston, contestei um historiador local que dizia ser o Alamo marco da vitória contra invasores mexicanos. Acrescentei que o próprio Houston, para nós latinos, poderia ser classificado como genocida. Ele educadamente se desculpou. Recentemente Trump mudou, como dono do mundo, o nome do Golfo do México para Golfo dos EUA. Certa vez, um colega regressado dos EUA aconselhou quem pretendesse estagiar lá evitar, como ele, os latinos. Perguntei como conseguiu, se sua aparência era de chicano. Em Miami, na Universidade, expus nossa inovação no ensino e repeti várias vezes Florída, com acento no i, e não Flórida, e também Miami e não Maiami – com aplauso de estudantes e docentes. Visitando ali vários hospitais universitários, anotei uma hierarquia de auxiliares, para cada pavimento, de cima pra baixo: brancos, latinos, pretos e, no porão, asiáticos. Nas artes, anotei que gente de sucesso, até mesmo italianos, anglicizavam seu nome para a mídia. Francesco Alberto era Frank Sinatra, Concetta Franconero era Connie Francis, Antonio Benedetto era Tony Bennett, enquanto os mexicanos Antonio Oaxaca era Anthony Quinn e Margarita Cansino era Rita Hayworth. As canções latinas Comme d'Habitude e O Sole Mio são travestidas em My Way e It´s Now or Never. Agora, súbito, o popstar porto-riquenho Bad Bunny (Benito, por enquanto anglicizado), lava a alma dos latinos em estrondoso show, na final do futebol americano (NFL), proclamando, EM ESPANHOL, seu orgulho ibero-americano.

https://youtu.be/kJl2ICLpj00

https://youtu.be/eQSNVBLTXYY

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

 




FAMÍLIAS DO ZICO TONELLI E DO JOÃO SALGADO

João Amílcar Salgado

O ilustre nepomucenense e professor de engenharia da USP, Jaime Flávio Pimenta, me enviou seu precioso estudo intitulado FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DA FAMÍLIA DE EDWARD TONELLI. O Jaime, depois de aposentado, passou a erudito genealogista da gente da Vila - sábia maneira de homenagear sua cidade natal. A família do patriarca Zico Tonelli é “irmã” de minha família. Na juventude deles, os dois Joões, João Tonelli e João Salgado, fundadores do América, além de futebolistas, foram aplaudidos também por estarem noivos das duas moças mais bonitas do lugar: Dulica  e Vange, respectivamente Maria das Dores Silva e Evangelina Alves Vilela. Os filhos mais jovens do Zico e os filhos do Salgado  foram criados juntos: a Aparecida foi colega de sala do João Amílcar, no Grupo Escolar, o Edward foi colega de ginásio da Neusa e do José Aníbal, enquanto a Maria Luzia e a Neusa repetiram as mães, como duas beldades adolescentes. Tais jovens ficaram unidos pela orfandade, com o falecimento precoce da Dulica e do Zico, sendo que este se foi, logo após a morte também precoce do Salgado. O Edward Tonelli seguiu os passos do João Amílcar na carreira universitária, na UFMG. Alcançou como cientista, a aclamação de maior infectologista pediatra nacional, autor do livro DOENÇAS INFECCIOSAS NA INFANCIA (1987), cujo primeiro capítulo é do João Amílcar. O Edward, inclusive, é um dos heróis brasileiros da erradicação da pólio (1990). Agradeço imensamente ao Jaime e deixo à sua inesgotável competência o desafio de verificar a hipótese de que a Dulica e a Vange são parentes, caso seja verdadeira a origem comum dos Silva da Vila e de Lavras.

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

PAIONE INESQUECÍVEL



João Amílcar Salgado

Com que emoção recebi um preciosíssimo presente de minha queridíssima neta Ana Luiza, neste natal de 2025!!!  Trata-se do livro “Reminiscências e Histórias de um Varginhense” (2024), escrito por meu colega de colégio, o jornalista Armindo Paione Sobrinho. Estou lendo cada uma das páginas, matando imensa saudade. Vejo que deverei comentá-las devagar.  Sua família cumpriu o correto dever de publicar o texto deste oportuno cronista, curioso observador, atento historiador e diligente educador. Tal iniciativa está em consonância com o mérito incontestável de quem não poderia ser esquecido.

Na página 265 encontro o capítulo “Os Quatro Grandes”, no qual me sinto guindado a um panteão por este generoso colega e amigo. Somos os quatro: Ronaldo Jorge Azze (USP), João Amílcar Salgado (UFMG), Sérgio Almeida de Oliveira (UFMG, USP) e Sérgio Mário Regina (USP, UV), três médicos e um agrônomo-ambientalista. Diz Armindo: “[Na caminhada em busca do saber] me deparei com colegas, contemporâneos e amigos, com inteligência privilegiada, vasta cultura geral e profissionais bem sucedidos e famosos. Quatro deles se destacaram e positivamente estão acima dos padrões normais de inteligência e profissionalismo. Três, por coincidência, são médicos e um engenheiro agrônomo.”