ABEL
FIGUEIREDO ROSSI
João Amílcar Salgado
Entre os internos do colégio marista em Varginha, fiquei feliz ao
encontrar dois irmãos de Coqueiral: Abel e Reginaldo, portadores do mais
irremovível sotaque das nossas cidades. Mais alegre fiquei quando me disseram
que tinham sido alunos e eram fãs da tia Cotinha em Santana da Vargem. O Antônio
do Banico, marido dela, era parente deles. O Juca, pai deles, foi o difusor do
gir em nossa região. O Elpídio Rodrigues comprou dele um magnífico exemplar e o
mostrou a meu pai, no curral que tínhamos na rua João Inácio Dias, 416, fundo
de nosso quintal. O Reginaldo chegou a
começar um namoro com minha irmã Maria. O Abel se diplomou primoroso médico
dois anos depois de mim na UFMG. Foi ser anestesista e clínico em Sete Lagoas.
Em sua fazenda em Inhauma continuou pecuarista do gir jaguané e criador de galo
músico. Prometeu-me um casal mas não fui buscar. É vizinho de fazenda de outro médico
sulmineiro, Caio Manso. Como eu,
tornou-se escritor, autor de livros com títulos curiosos: O QUÊ QUE HÁ NA MORINGA DO MURIMBÁ e UM RECRUTA NA SORBONNE, que compõem nossa rica tradição literária.





