João Amílcar Salgado

sexta-feira, 29 de maio de 2026

 


O DILEMA DE MARCO RUBIO

 

João Amílcar Salgado

 

Em outubro de 1983, os EUA bombardearam a ilha de Granada no Caribe. Foi um vexame para o presidente Ronald Reagan, pois atingiram um hospital ligado a uma faculdade de medicina estadunidense offshore e mataram alguns ianques que estavam na ilha. Isso aconteceu um ano depois da Guerra das Malvinas, quando a Inglaterra bombardeou impiedosamente militares da ditadura argentina. Margaret Thatcher ficou de saia justa, pois moralmente deveria ter bombardeado em revide os invasores de sua ex-colõnia. Hoje suspeita-se que, na conversa cordial, entre Trump e Xi, este deve ter comentado com aquele: se você invadir Cuba não protestaremos, ao contrário, seria um ótimo pretexto para invadirmos Taiwan. Seria a saia do Trump que ficaria justa.

Em 1983 surpreendi gente da OPAS/OMS e da fundação Kellogg com a novidade de que os EUA, em vez de coibirem as faculdades lucrativas de medicina as estavam canalizando para empreendimentos offshore, um deles em Granada. Para a invasão da ilha, esqueceram de avisar Henry Kissinger, o diabólico arquiteto de tantos outros crimes, que estava por trás do extemporâneo bombardeio. Um surpreso especialista disse que eu estava delirando, pois era a primeira vez que ouvia a palavra offshore. Dias depois veio pedir-me desculpas, pois acabara de ser informado de um projeto de curso de medicina offshore na Amazônia.

A coisa já existia no mundo financeiro, em que os paraísos fiscais não passam de escape offshore para ladrões de grande porte. Minas Gerais cedo conheceu o paraíso fiscal luxemburguês. A serviço dos paraísos fiscais foram inventadas as fintechs e as criptomoedas, inclusive oportunas  aproveitadoras da IA. E estamos agora estarrecidos com o offshore inverso. Os EUA de Trump é o offshore bilionário de bandidos de todas as espécies e de todos os países.  Neste momento, há grande expectativa de que Marco Rúbio, filho de exilados cubanos, com base na simetria Cuba/Taiwan, declare terroristas as máfias italiana, russa, chinesa e japonesa, juntamente com os carteis mexicanos e colombianos – todos com ramificação dentro dos EUA.

Na foto. GRANADA, REAGAN, THATCHER, KISSINGER, XI e TRUMP

 

 

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

 


CRITÉRIOS PARA A INSTALAÇÃO DE UM CTI

João Amílcar Salgado

O Luiz Eduardo Miranda Gonzaga, colega e amigo, me perguntou sobre o critério para a criação de um CTI. Respondi que o único critério é a necessidade. Vamos lembrar o surgimento da tecnologia médica. Os instrumentos de madeira, osso, pedra ou metal, foram desenvolvidos ao longo dos milênios, como  a pinça, a sonda, a seringa, a lanceta, a ventosa, o sarjador, o termômetro, o estetoscópio, o bulbo, a lupa, o esfigmomanômetro, o eletrocardiógrafo e os endoscópios. Cada invenção ou cada aperfeiçoamento era avaramente trancado contra o furto ou a cópia - e com o fim de algum lucro. Aos poucos eram simplificados para afinal serem acondicionados na maleta do terapeuta. Um de meus estudos, para a tese de doutorado, foi sobre tecnologia simplificada e descentralizável ou periferizável. Eu mesmo participei do advento da periferização do laboratório clínico e da miniaturização do eletrocardiógrafo, bem como da busca do ultrassonógrafo manual e da flexibilização do endoscópio. Ainda não atingimos o mesmo para a tomografia. Como antes referi, participei da instalação do primeiro CTI brasileiro na UFMG, e, nele, do primeiro tratamento intensivo, com sucesso, de tétano grave e ainda os primeiros  casos de ofidismo e raiva. Também instalamos o primeiro tratamento intermediário, depois chamado semi-intensivo. Um dos primeiros pacientes era nepomucenense, como o do tétano.  Os tratamentos intensivo, semi-intensivo e básico compõem o Cuidado Progressivo do Doente defendido pela OPAS/OMS, de que me tornei referência.

Respondi ao Luiz, admirável combatente pela atenção à saúde, que o único critério é a necessidade, mas, na medicina comercial, os planejadores só instalam um CTI, em algum lugar menor ou remoto, se o lucro certo for bem alto.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

 


REGINALDO LOPES

João Amílcar Salgado

No dia do trabalho de 2026, Nepomuceno recebeu condignamente a visita do deputado federal Reginaldo Lopes, acompanhado de correligionários e amigos. Foi recepcionado na Câmara e participou de um churrasco na residência de seu fraterno companheiro de governo federal, Carlos Amílcar. Após o evento no legislativo, fez questão de visitar a Santa Casa. Mostrou-se particularmente impressionado com os efeitos da alta dotação oferecida pelo Dr Carlos. Ficou tão entusiasmado que ofereceu de sua parte a verba adicional necessária para dotar nossa cidade de um CTI, dentro dos próximos meses. Como participante do atendimento ali, desde os tempos de estudante de medicina, fiquei emocionado com a concretização desse imprescindível avanço tecnológico, sugerido por mim desde antes da pandemia. Lembro que, logo eu, um dos fundadores do primeiro CTI completo do país, patrocinado pela OPAS/OMS, em 1969. Foi então que internei ali um caso grave de tétano em um menino nepomucenense, o primeiro tétano salvo em CTI no Brasil.   Faço mais uma sugestão. Que, na inauguração do CTI, o brilhante deputado Reginaldo Lopes seja brindado com o título de cidadão honorário desta cidade, este estimadíssimo nosso quase conterrâneo, nascido na cidade vizinha e irmã de Bom Sucesso. Culto, excelente orador, muito hábil no diálogo político e elogiado até por adversários.

sexta-feira, 1 de maio de 2026


 

GEL ERÓTICO DE VENENO DE ARMADEIRA

MARIA ELENA             BABÃO

 

Bem antes do surgimento do viagra, a UFMG já estudava o priapismo causado pela picada da aranha armadeira. O notável cientista Carlos Ribeiro Diniz me pediu para ligar a um pesquisador de Ribeirão Preto a quem fez a sugestão de estudar o tema. A resposta foi que aquilo era sigiloso e só mais tarde ele comunicaria seu estudo.  Diante disso, por influência de Diniz, a UFMG passou a uma série de pesquisas que foram muito exitosas, culminando com o lançamento do gel de derivado do veneno. O grupo de pesquisadores é liderado pela neurocientista Maria Elena de Lima, diplomada em bioquímica em Uberlandia.

Quando foi lançado o viagra, o Babão, meu querido amigo e consagrado humorista da Vila, me procurou para saber quando seria lançado o remédio para uso tópico. Respondi que tentaram, mas não deu certo. Disse-lhe que mais cedo ou mais tarde a coisa seria desenvolvida. Ele exclamou: espero estar ainda vivo nesse dia!

Ele não alcançou, mas suspeito de seu priapismo póstumo.