POSTAGEM DE CARLOS AMÍLCAR SALGADO
Em 30/5/26, participei da
reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), espaço estratégico de
pactuação do Sistema Único de Saúde, onde União, estados e municípios constroem
conjuntamente os caminhos da saúde pública brasileira.
A reunião foi marcada por decisões relevantes para o fortalecimento do
SUS, entre elas a pactuação de uma política inédita de atenção à população em
situação de rua, reafirmando o compromisso do sistema com a equidade, a
inclusão e a proteção das pessoas em maior vulnerabilidade social.
Também avançamos na modernização da Assistência Farmacêutica em
Oncologia, com a pactuação de diretrizes que contribuirão para ampliar a
organização, a segurança e a continuidade do acesso aos medicamentos
oncológicos em todo o país.
Outro destaque foi a instituição da Câmara Técnica de Dispositivos
Médicos, que apoiará a estruturação dos investimentos estratégicos nessa área
para o SUS.
Ao final da reunião, o Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais,
Fábio Baccheretti, anunciou a desospitalização dos últimos internos do antigo
Hospital Colônia de Barbacena, um dos símbolos mais dolorosos da história da
assistência psiquiátrica brasileira.
Na sequência, leu o “Discurso para todos os homens, exceto os loucos”,
inscrito em uma placa do Museu da Loucura, em Barbacena.
Nesse momento, fui tomado por profunda emoção, pois esse poema é de
autoria de meu pai, João Amílcar Salgado.
A obra aborda a exclusão no contexto do desenvolvimento da civilização,
evidenciando a falta de solidariedade e o isolamento imposto aos loucos.
Transcrevo aqui em sua íntegra o poema:
“Discurso para todos os homens, exceto os loucos
Quando o homem teve consciência de que dominava a agricultura, ele
condenou o infanticidio, exceto o assassinato da criança louca.
Quando o homem teve consciência de que era capaz de civilizar-se, ele
condenou o homicídio, exceto o assassinato do adulto louco.
Quando o homem teve consciência de que fazia parte do gênero humano, ele
inventou a solidariedade, exceto para com o homem louco.
Quando o homem propôs indulgência para quem beijasse uma ferida, ele
inventou o hospital, exceto o asilo de loucos.
Quando o homem levou milhares de anos para ter consciência de sua razão,
ele ousou declarar universais os direitos de qualquer homem, exceto os dos
loucos.
Quando o homem teve consciência de que os agrupamentos humanos dispunham
cada vez mais de conforto e lazer, maior foi sua necessidade de se livrar da
presença e até da lembrança dos loucos - daí que a segregação dos loucos é
intrínseca e não contraditória a modernização da sociedade".
Há momentos em que a história institucional e a história pessoal se
encontram.
Ontem foi um deles!
