João Amílcar Salgado

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

 


TITO MENEIZ E ZÉ PIRAQUARA

João Amílcar Salgado

Em minhas gostosas conversas com o Tito Meneiz, recolhi dados preciosos da história da Vila. Numa delas ele me pegou de supetão: donde vêm os Menezes? Foi quando lhe informei que meus estudos indicam serem descendentes do primeiro faraó MENÉS e de seu filho MENESÉS. Já os daqui seriam Teles de Menezes, vindos para Minas, em busca de resgatar sua nobiliarquia com nosso ouro. A mais linda das filhas do Tito, Maria José, guarda semelhança com o retrato clássico de Leonor Teles de Menezes. Ele marejou os olhos e respondeu:  “quem mais precisa saber disso é a gente metida a besta daqui, que pensa ser mais importante que os outros”. Aproveitei para dizer que os Mendonça têm origem parecida. Descenderiam do homem mais rico do Brasil no comecinho de Minas: Salvador Furtado de Mendonça, também provindo da mais alta nobreza e filho de Maria Cubas, da família de Braz Cubas.  O Zé Piraquara repetia sempre em nossa farmácia três nomes: Quebra-Panela, fazenda de seu sogro, Dona Mariana, sua prima, e João Meu Filho. Pena é que na época eu ainda não sabia da origem fidalga da Dona Laquita.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

 

ABEL FIGUEIREDO ROSSI

João Amílcar Salgado

 

Entre os internos do colégio marista em Varginha, fiquei feliz ao encontrar dois irmãos de Coqueiral: Abel e Reginaldo, portadores do mais irremovível sotaque das nossas cidades. Mais alegre fiquei quando me disseram que tinham sido alunos e eram fãs da tia Cotinha em Santana da Vargem. O Antônio do Banico, marido dela, era parente deles. O Juca, pai deles, foi o difusor do gir em nossa região. O Elpídio Rodrigues comprou dele um magnífico exemplar e o mostrou a meu pai, no curral que tínhamos na rua João Inácio Dias, 416, fundo de nosso quintal.  O Reginaldo chegou a começar um namoro com minha irmã Maria. O Abel se diplomou primoroso médico dois anos depois de mim na UFMG. Foi ser anestesista e clínico em Sete Lagoas. Em sua fazenda em Inhauma continuou pecuarista do gir jaguané e criador de galo músico. Prometeu-me um casal mas não fui buscar. É vizinho de fazenda de outro médico sulmineiro, Caio Manso.  Como eu, tornou-se escritor, autor de livros com títulos curiosos:  O QUÊ QUE HÁ NA MORINGA DO MURIMBÁ e UM RECRUTA NA SORBONNE, que compõem nossa rica tradição literária.

terça-feira, 22 de setembro de 2026


 

CHÁ DE CONGONHA EM 1776, EM NEPOMUCENO

Joáo Amílcar Salgado

Como era o café-da-manhã nas primeiras fazendas da Vila, por volta de 1776? Ainda não havia café, mas havia a congonha. O pequeno rio que atravessava o lugar era chamado de Congonhal. A congonha mineira é um arbusto florescente entre a montanha mineral e a mata atlântica. Para a bebida, basta ferver 1 litro de água, despejar em cima de 1 ou 2 colheres-de-sopa das folhas secas de congonha douradinha, ou outra variedade, abafar por 10 a 15 minutos e coar. Antes de ser substituído pelo café, o açúcar se fez disponível e o chá de congonha passou a ser caramelizado, tal como ocorreu com o leite. Nosso fundador Mateus Luís Garcia chamou seu lar de Congonhal e nosso Casaquinha nasceu exatamente na cidade de Congonhas.

De fato, Congonhas são muitas: uma cidade histórica, Congonhas do Campo, donde veio a família Ribeiro Lima da Vila, outra cidade histórica Lagoa Santa, originalmente Congonhas das Minas de Sabará, uma cidade nossa vizinha, Congonhal, a citada fazenda primordial da Vila, outras fazendas e locais se referem à congonha. Congonha para nossos índios quer dizer revigorante. Todos as civilizações desfrutam de uma bebida revigorante e/ou inebriante: chá, café, salgueiro, papoula (ópio), tabaco, coca, cola, guaraná, maconha (causadora da fúria assassina), mariri, chacrona, peiote (mescalina), tarragon, teixo, meimendro (causador da fúria viking), muscimol, estramônio e outras.

As variedades de congonha são rubiáceas, como o café,  ou malvácea ou ochnácea ou aquifoliácea: Congonha-de-bugre (Rudgea viburnoides); Congonha bate-caixa (ou caixa de guerra, Palicourea rigida)) - de folhas grandes e grossas que, quando batidas umas nas outras, fazem som; Congonha douradinha (ou de folha miúda, Waltheria communis) - conhecida pelo tom verde-amarelado ou dourado, e saborosa; Congonha de cinco folhas: de coloração amarelada na parte inferior das folhas, Sparattosperma leucanthum; Congonha amargosa, do gênero ilex como o mate.

 

Veja-se o vídeo https://youtu.be/uIbr25b-nx4.

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

 


ESCOLINHA RADIOFÔNICA E TELEVISIVA

João Amílcar Salgado

Um admirador opinou que meu livro O RISO DOURADO DA VILA (2020), em seu aspecto de humor estudantil, deve ser incluído no estudo pedagógico do fenômeno radiofônico e televisivo das ESCOLINHAS. Em palestra que fiz no Senado sobre a então recente proposta do PROVÃO (embrião do ENEM), afirmei que o Ministério da Educação de FHC, em sua calamitosa desorientação, não passava de mais uma de nossas populares ESCOLINHAS. Lembrei ali ter participado de uma reunião de reitores, como assessor de Cid Veloso. Concluí horrorizado que o então reitor da USP José Goldenberg (cujo assessor era Paulo Renato) e o reitor da UFBA Germano Tabacof deram um show de completa ignorância pedagógica. Por sinal, essa reunião se dera na UnB, onde, no final da ditadura, o reitor, para ser reitor, apresentou o diploma de “capitão de mar-e-guerra” – evidente escárnio a Darcy Ribeiro e a Anísio Teixeira, fundador e 1º reitor e seu vice.

A  Escolinha (“da Dona Olinda”) foi inventada pelo genial humorista Nhô Totico (Vital Fernandes da Silva, 1903-1996). Em vez de vários artistas representando cada aluno, cada qual era ele mesmo. Recebeu o Troféu Roquete Pinto em 1950.  Foi adaptada para a tv por Chico Anísio e por Ronald Golias - e para o país, segundo Tancredo Neves, por FHC.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

 


ISAURAS DA VILA

João Amílcar Salgado

A Vila não conta com muitas Isauras. A inesquecível professora Isaura Assunção deu-me a primeira aula no grupo escolar. Mestra no mais límpido sentido, com que carinho, com que simpatia nos acolheu naquele dia primordial! Outra mais recente é a bela Isaura Mendonça, filha do casal Lazinho e Teresinha, gente muito estimada desde longo tempo. Duas outras não são Isauras, mas as apelidei de as “Escravas Isauras” da Vila.  A primeira é Isabel de Souza, filha do padre Tomás de Souza, e a segunda é Mariana Januária de Jesus, filha do Cônego Menezes.

Durante a escravidão, os homens da casa-grande e seus auxiliares engravidavam as escravas e as filhas mestiças continuavam escravas ou excepcionalmente eram criadas como filhas ou “afilhadas”, pelo pai biológico ou “padrinho”. Em Nepomuceno, pelo menos quatro filhas de escravas vieram a ser matriarcas de queridas famílias tradicionais. Todas foram criadas com carinho, mas duas delas foram excepcionalmente educadas por genitores sacerdotes, coincidentemente sucessivos dirigentes da futura matriz da Vila. Isabel Maria de Souza, filha do padre Tomás de Souza, casou-se com Francisco Alves Garcia, o célebre Chico Frade. Mariana Januária de Jesus, filha do Cônego João Evangelista de Menezes, casou-se com João Inácio de Castro Dias, codirigente da Vila. No caso da Escrava Isaura, na trama ficcional de Bernardo Guimarães, ela foi submetida à violência de seu novo proprietário.  Isabel e Mariana, ricas herdeiras, ao contrário, viveram felizes no seio da comunidade nepomucenense. É imperativo que o nome da mãe de ambas (também da mãe de meu tetravô Casaquinha e das demais mencionadas) seja conhecido.

Vale assinalar que a primeira mulher advogada no Brasil, é uma negra ex-escrava que coincide ter o sobrenome Garcia. Seu profético nome é Esperança Garcia. Nasceu no Piauí cerca de 1751. Escreveu uma petição (leia-se o manuscrito preservado) ao governador Gonçalo Botelho de Castro, solicitando que ordenasse ao feitor da Fazenda Algodões cessar os espancamentos de seu filho e de sua gente. Por outro lado, na história da medicina brasileira foi motivo de polêmica a questão das mães-pretas ou mães-de-leite. Muita gente importante foi amamentada por mãe-preta. Minha mãe é irmã-de-leite de nosso primo Guaraci Lopes Cançado.

Por último, mas de não menor importância, o ouropretano Bernardo Guimarães teve herdeiros sulmineiros. Seu filho Pedro Bernardo e seu neto Armelim Bernardo, ambos engenheiros, são também ilustres historiadores de Itajubá, sendo um itajubense adotivo e o outro nativo. Ambos, como eu, são de uma categoria imprescindível, os historiadores municipais.

 

 

domingo, 16 de agosto de 2026

 


NÃO É IMPOSSÍVEL QUE O CRIOULO FORTUNATO JOSÉ (FEMINICIDA E CARRASCO) SEJA NOSSO PARENTE E NEPOMUCENENSE.

João Amílcar Salgado     

O enforcamento do crioulo Fortunato José deixou de acontecer porque acabara de falecer o carrasco oficial da Província de Minas Gerais. Houve a solução incomum de comutar a pena de morte de Fortunato. Ele  havia sido condenado em 1833, após assassinar sua senhora, Custódia de Jesus, na região da Vila de Lavras.  Em troca do enforcamento, ele deveria se tornar o novo carrasco oficial. Para isso, sua pena foi mudada para prisão perpétua (galés). Atuou como o principal algoz de Minas Gerais entre 1835 e 1874, enforcando 87 pessoas. Considerava-se um "empregado público" do Império. Passou o final de vida preso na antiga Cadeia Pública de Ouro Preto (hoje Museu da Inconfidência), onde faleceu já idoso em 1884. Curiosamente, Fortunato quase foi morto na prisão por Ignácio Cassange, um de seus sentenciados. Fortunato tinha o costume de dormir na mesma cela que os condenados, na noite anterior à execução. Na madrugada de 22/9/1838, Ignácio desferiu profundos golpes de navalha contra Fortunato, que sobreviveu, enquanto o agressor foi enforcado por outro carrasco na vila de Sabará.

  1. Caso sejam achados os restos mortais de Fortunato, seu DNA poderá ser comparado com o de descendentes de quilombolas nepomucenenses
  2.  

 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

 


ALAN TURING – POR QUE NÃO RECEBEU O PRÊMIO NOBEL?

João Amílcar Salgado

No livro “A PACIENTE BERENICE DA DOENÇA DE CHAGAS” (2024), trato de nossa frustração por Chagas não ter recebido o Nobel. Tive que ser excessivamente sucinto. Lamento ter omitido o caso do incontestável gênio Alan Turing. Por sua fundamental participação na criação do computador, não é justo ter ficado sem o Nobel. Ele faleceu com apenas 41 anos. Que coisas fantásticas não criaria se vivesse o dobro? Meu estudo comparativo entre Chagas, Einstein e Turing, me permite duvidar da versão oficial de sua morte. Em vez da conclusão por suicídio, não é possível afastar a hipótese de que foi assassinado pelo próprio serviço secreto britânico. O M16 (oficialmente Secret Intelligence Service ou SIS) teria concluído haver o risco de que ele deixasse escapar dados protegidos a agentes estrangeiros. Os julgadores do Nobel então optaram pelo silêncio.

Em 1941, em plena 2ª guerra mundial, Alan, atuando na Escola de Código e Cifra do Governo britânico (Government Code and Cypher School), completou a decifração do código secreto nazista, chamado máquina Enigma. A decifração foi  iniciada na Polonia em 1932 pelos matemáticos Marian Rejewski, Jerzy Różycki e Henryk Zygalski. Para sua espetacular façanha,  Alan inventou o computador eletromecânico Bombe. Hoje podemos dizer que Turing iniciou não só o computador como a própria inteligência artificial, em 1941.

Assim, no final de duas guerras mundiais houve clamorosa injustiça, contra Carlos Chagas na 1ª e contra Alan Turing na 2ª .

terça-feira, 4 de agosto de 2026

 


OS GURUS DO FINAL DA DÉCADA

DEVEM SER LIDOS E VISTOS POR JOVENS INTELIGENTES

O YOUTUBE TEM ENTREVISTAS DOS TRES

MÁRCIO POCHMANN ESCREVEU O LIVRO O NOVO SUJEITO COLETIVO

JOSÉ KOBORI ESCREVEU O EBOOK O IMPACTO DOS EVENTOS EM SUA VIDA

JESSÉ DE SOUZA ESCFREVEU O LIVRO O POBRE DE DIREITA – A VINGANÇA DOS BASTARDOS

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

 


COMO A PF DESMONTOU ESQUEMA BILIONÁRIO NA MINERAÇÃO DE MG | PODCAST UOL

https://youtu.be/urhsV02wv58

terça-feira, 30 de junho de 2026

 

NELSON ARAÚJO DOUTOR HONORIS CAUSA EM LAVRAS


JOÃO AMÍLCAR SALGADO

O jornalista Nelson Araújo, âncora do programa Globo Rural, foi agraciado com o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal de Lavras, em 23/6/2026. Nada mais merecido. O serviço que o Nelson e seu parceiro José Hamilton Ribeiro prestaram à agricultura brasileira é imensurável. Tive o raro prazer de manter ótimos encontros com o Nelson e com o Zé.  Um belo dia topo com o Nelson na fazenda  Jaguara Velha onde almoçamos ele, o Ajax, a Leila e eu. Ali no Rio das Velhas esperávamos os caiaques da expedição que em 2017 recapitulou a de Burton ocorrida em 1867. Nos dias 28, 29 e 30 de setembro e 01 de outubro de 2017, pelo Projeto Manuelzão, três navegadores percorreram de caiaque os 804 km do rio, para avaliar sua degradação e interagir com as comunidades ribeirinhas. Na conversa com o Nelson, disse a ele de sua provável origem mineira. Posteriormente lhe mandei o estudo de minha prima Maria Ãngela Araújo Caiafa Lagoa sobre nossos Araújos e também exemplares de meus livros.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

 

POSTAGEM DE CARLOS AMÍLCAR SALGADO


Em 30/5/26, participei da reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), espaço estratégico de pactuação do Sistema Único de Saúde, onde União, estados e municípios constroem conjuntamente os caminhos da saúde pública brasileira.

A reunião foi marcada por decisões relevantes para o fortalecimento do SUS, entre elas a pactuação de uma política inédita de atenção à população em situação de rua, reafirmando o compromisso do sistema com a equidade, a inclusão e a proteção das pessoas em maior vulnerabilidade social.

Também avançamos na modernização da Assistência Farmacêutica em Oncologia, com a pactuação de diretrizes que contribuirão para ampliar a organização, a segurança e a continuidade do acesso aos medicamentos oncológicos em todo o país.

Outro destaque foi a instituição da Câmara Técnica de Dispositivos Médicos, que apoiará a estruturação dos investimentos estratégicos nessa área para o SUS.

Ao final da reunião, o Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, anunciou a desospitalização dos últimos internos do antigo Hospital Colônia de Barbacena, um dos símbolos mais dolorosos da história da assistência psiquiátrica brasileira.

Na sequência, leu o “Discurso para todos os homens, exceto os loucos”, inscrito em uma placa do Museu da Loucura, em Barbacena.

Nesse momento, fui tomado por profunda emoção, pois esse poema é de autoria de meu pai, João Amílcar Salgado.

A obra aborda a exclusão no contexto do desenvolvimento da civilização, evidenciando a falta de solidariedade e o isolamento imposto aos loucos.

Transcrevo aqui em sua íntegra o poema:

“Discurso para todos os homens, exceto os loucos

Quando o homem teve consciência de que dominava a agricultura, ele condenou o infanticidio, exceto o assassinato da criança louca.

Quando o homem teve consciência de que era capaz de civilizar-se, ele condenou o homicídio, exceto o assassinato do adulto louco.

Quando o homem teve consciência de que fazia parte do gênero humano, ele inventou a solidariedade, exceto para com o homem louco.

Quando o homem propôs indulgência para quem beijasse uma ferida, ele inventou o hospital, exceto o asilo de loucos.

Quando o homem levou milhares de anos para ter consciência de sua razão, ele ousou declarar universais os direitos de qualquer homem, exceto os dos loucos.

Quando o homem teve consciência de que os agrupamentos humanos dispunham cada vez mais de conforto e lazer, maior foi sua necessidade de se livrar da presença e até da lembrança dos loucos - daí que a segregação dos loucos é intrínseca e não contraditória a modernização da sociedade".

Há momentos em que a história institucional e a história pessoal se encontram.

Ontem foi um deles!

sexta-feira, 29 de maio de 2026

 


O DILEMA DE MARCO RUBIO

 

João Amílcar Salgado

 

Em outubro de 1983, os EUA bombardearam a ilha de Granada no Caribe. Foi um vexame para o presidente Ronald Reagan, pois atingiram um hospital ligado a uma faculdade de medicina estadunidense offshore e mataram alguns ianques que estavam na ilha. Isso aconteceu um ano depois da Guerra das Malvinas, quando a Inglaterra bombardeou impiedosamente militares da ditadura argentina. Margaret Thatcher ficou de saia justa, pois moralmente deveria ter bombardeado em revide os invasores de sua ex-colõnia. Hoje suspeita-se que, na conversa cordial, entre Trump e Xi, este deve ter comentado com aquele: se você invadir Cuba não protestaremos, ao contrário, seria um ótimo pretexto para invadirmos Taiwan. Seria a saia do Trump que ficaria justa.

Em 1983 surpreendi gente da OPAS/OMS e da fundação Kellogg com a novidade de que os EUA, em vez de coibirem as faculdades lucrativas de medicina as estavam canalizando para empreendimentos offshore, um deles em Granada. Para a invasão da ilha, esqueceram de avisar Henry Kissinger, o diabólico arquiteto de tantos outros crimes, que estava por trás do extemporâneo bombardeio. Um surpreso especialista disse que eu estava delirando, pois era a primeira vez que ouvia a palavra offshore. Dias depois veio pedir-me desculpas, pois acabara de ser informado de um projeto de curso de medicina offshore na Amazônia.

A coisa já existia no mundo financeiro, em que os paraísos fiscais não passam de escape offshore para ladrões de grande porte. Minas Gerais cedo conheceu o paraíso fiscal luxemburguês. A serviço dos paraísos fiscais foram inventadas as fintechs e as criptomoedas, inclusive oportunas  aproveitadoras da IA. E estamos agora estarrecidos com o offshore inverso. Os EUA de Trump é o offshore bilionário de bandidos de todas as espécies e de todos os países.  Neste momento, há grande expectativa de que Marco Rúbio, filho de exilados cubanos, com base na simetria Cuba/Taiwan, declare terroristas as máfias italiana, russa, chinesa e japonesa, juntamente com os carteis mexicanos e colombianos – todos com ramificação dentro dos EUA.

Na foto. GRANADA, REAGAN, THATCHER, KISSINGER, XI e TRUMP

 

 

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

 


CRITÉRIOS PARA A INSTALAÇÃO DE UM CTI

João Amílcar Salgado

O Luiz Eduardo Miranda Gonzaga, colega e amigo, me perguntou sobre o critério para a criação de um CTI. Respondi que o único critério é a necessidade. Vamos lembrar o surgimento da tecnologia médica. Os instrumentos de madeira, osso, pedra ou metal, foram desenvolvidos ao longo dos milênios, como  a pinça, a sonda, a seringa, a lanceta, a ventosa, o sarjador, o termômetro, o estetoscópio, o bulbo, a lupa, o esfigmomanômetro, o eletrocardiógrafo e os endoscópios. Cada invenção ou cada aperfeiçoamento era avaramente trancado contra o furto ou a cópia - e com o fim de algum lucro. Aos poucos eram simplificados para afinal serem acondicionados na maleta do terapeuta. Um de meus estudos, para a tese de doutorado, foi sobre tecnologia simplificada e descentralizável ou periferizável. Eu mesmo participei do advento da periferização do laboratório clínico e da miniaturização do eletrocardiógrafo, bem como da busca do ultrassonógrafo manual e da flexibilização do endoscópio. Ainda não atingimos o mesmo para a tomografia. Como antes referi, participei da instalação do primeiro CTI brasileiro na UFMG, e, nele, do primeiro tratamento intensivo, com sucesso, de tétano grave e ainda os primeiros  casos de ofidismo e raiva. Também instalamos o primeiro tratamento intermediário, depois chamado semi-intensivo. Um dos primeiros pacientes era nepomucenense, como o do tétano.  Os tratamentos intensivo, semi-intensivo e básico compõem o Cuidado Progressivo do Doente defendido pela OPAS/OMS, de que me tornei referência.

Respondi ao Luiz, admirável combatente pela atenção à saúde, que o único critério é a necessidade, mas, na medicina comercial, os planejadores só instalam um CTI, em algum lugar menor ou remoto, se o lucro certo for bem alto.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

 


REGINALDO LOPES

João Amílcar Salgado

No dia do trabalho de 2026, Nepomuceno recebeu condignamente a visita do deputado federal Reginaldo Lopes, acompanhado de correligionários e amigos. Foi recepcionado na Câmara e participou de um churrasco na residência de seu fraterno companheiro de governo federal, Carlos Amílcar. Após o evento no legislativo, fez questão de visitar a Santa Casa. Mostrou-se particularmente impressionado com os efeitos da alta dotação oferecida pelo Dr Carlos. Ficou tão entusiasmado que ofereceu de sua parte a verba adicional necessária para dotar nossa cidade de um CTI, dentro dos próximos meses. Como participante do atendimento ali, desde os tempos de estudante de medicina, fiquei emocionado com a concretização desse imprescindível avanço tecnológico, sugerido por mim desde antes da pandemia. Lembro que, logo eu, um dos fundadores do primeiro CTI completo do país, patrocinado pela OPAS/OMS, em 1969. Foi então que internei ali um caso grave de tétano em um menino nepomucenense, o primeiro tétano salvo em CTI no Brasil.   Faço mais uma sugestão. Que, na inauguração do CTI, o brilhante deputado Reginaldo Lopes seja brindado com o título de cidadão honorário desta cidade, este estimadíssimo nosso quase conterrâneo, nascido na cidade vizinha e irmã de Bom Sucesso. Culto, excelente orador, muito hábil no diálogo político e elogiado até por adversários.

sexta-feira, 1 de maio de 2026


 

GEL ERÓTICO DE VENENO DE ARMADEIRA

MARIA ELENA             BABÃO

 

Bem antes do surgimento do viagra, a UFMG já estudava o priapismo causado pela picada da aranha armadeira. O notável cientista Carlos Ribeiro Diniz me pediu para ligar a um pesquisador de Ribeirão Preto a quem fez a sugestão de estudar o tema. A resposta foi que aquilo era sigiloso e só mais tarde ele comunicaria seu estudo.  Diante disso, por influência de Diniz, a UFMG passou a uma série de pesquisas que foram muito exitosas, culminando com o lançamento do gel de derivado do veneno. O grupo de pesquisadores é liderado pela neurocientista Maria Elena de Lima, diplomada em bioquímica em Uberlandia.

Quando foi lançado o viagra, o Babão, meu querido amigo e consagrado humorista da Vila, me procurou para saber quando seria lançado o remédio para uso tópico. Respondi que tentaram, mas não deu certo. Disse-lhe que mais cedo ou mais tarde a coisa seria desenvolvida. Ele exclamou: espero estar ainda vivo nesse dia!

Ele não alcançou, mas suspeito de seu priapismo póstumo.

domingo, 12 de abril de 2026

 


CARLOS AMÍLCAR SALGADO

João Amílcar Salgado

            Privilegiado por uma forHoje, já em âmbito nacional, é enaltecido como afável conciliador entre opiniões polarizadasmação educacional e científica propiciada por pais pedagogos e cientistas, cedo se mostrou hábil no  futebol, talentoso no humorismo e simpaticíssimo no companheirismo junto a crescente turma de amigos constantes. Hoje, já em âmbito nacional, é enaltecido como afável conciliador entre opiniões polarizadas. Embora não necessitasse, quis logo ser pessoalmente independente e se tornou cuidadoso fiscal sanitário, quando acumulou conhecimento e experiencia, que depois lhe foram preciosos. Analogamente, ingressou na Polícia Militar, hoje distinguido com a patente de Coronel. Demais, é elogiado cafeicultor e, na tradição de família, fruticultor. Desde estudante de medicina, beneficiou-se com os frequentadores do Centro de Memória da Medicina (Cememor), em particular com os ensinamentos indeléveis do ecologista Camilo Assis Fonseca e do admirável Manuelzão, personagem altissonante de Guimarães Rosa.  Coisa semelhante ocorreu na residência médica, com a regalia de ser discípulo de um escrete formado por José Luiz Ratton, Lúcia Foscarini, Davidson Pires de Lima,  Ciro Buldrini e Luiz de Paula Castro - no ambulatório, na enfermaria e no CTI. Com isso se fez enciclopédico na atualização diagnóstica e terapêutica.   O tema da resolubilidade em saúde passou a sua preocupação permanente, o qual inspirou suas teses e o credenciou a dinâmico desempenho em alto posto no Ministério da Saúde, ora alvo do aplauso de seus pares e das comunidades pelo Brasil afora.

sábado, 11 de abril de 2026

 JOSÉ E SEBASTIÃO DE ABREU

 


JOÃO CARLOS DI GENIO

O noticiário sobre o estelionato sofrido pelos herdeiros do magnata João Carlos  Di Genio me leva a lembrar este meu concorrente estudantil. O Di Gênio e eu, na mesma época, passamos em 1º lugar no concurso vestibular para a medicina, ele na USP e eu na UFMG. E fomos primeiros em duas faculdades. Nossa proeza nos levou a criar cursos vestibulares que ensinassem vestibulandos a conquistarem pódio igual. O curso dele veio a ser uma megaempresa e o meu foi o contrário, ou seja, gratuito no diretório acadêmico, para vestibulandos carentes. O cursinho dele começou como Cursinho Objetivo, que se agigantou, tornando se uma universidade, a Unip, gigantesca. O meu, e de meus comparsas Marcos de Mares Guia, Angelo Machado, Guilherme Cabral, Lineu Freire Maia, Armando Gil Almeida Neves, Sebastião Pereira e Jader Siqueira, fez tanto sucesso que se bifurcou na unidade universitária Colégio Técnico da UFMG e no curso lucrativo Pitágoras. Este se agigantou como megaempresa também, chegando a mulinacional.

No início da explosão dos cursos de medicina de fim de semana, avisei a meu amigo Adib Jatene que seu ex-aluno Di Genio e Drauzio Varella estavam fundando o curso médico do Objetivo. Para isso faziam lobby no então corrupto Conselho Federal de Educação. O Adib procurou o Di Genio e este adiou o processo. Mais tarde Jatene e eu fomos convidados pelo Di Genio para um jantar com o Florestan Fernandes, eleito deputado com apoio dele. Era para concordarmos com a criação do curso, com a alegação de que seria de ponta, obedecendo as ideias pedagógicas do Adib, ou seja, minhas. Meu amigo foi e eu me recusei.

segunda-feira, 30 de março de 2026


PRIMEIRO HERÓI CONTRA O ASSÉDIO

Neste carnaval de 2026, o assédio sexual recebeu grande ênfase, oportunidade para lembrar frei LUÍS SALGADO, o primeiro defensor, no Brasil, de escravas vítimas de tal crime. Frei Luís de Santa Teresa, ou D. Luís Salgado de Castilho, Carmelita, de Lisboa, nascido em 1693, diplomado por Coimbra em Filosofia e Teologia, disciplinas que aí leccionou, mostrando dotes de grande inteligência e erudição. Nomeado corregedor da cidade, depressa renunciou, para seguir a carreira religiosa, como carmelita descalço. Passou a mestre no Colégio de S. José de Coimbra, onde de novo mostrou grande brilho intelectual, e em seguida a Santa Cruz do Buçaco. Foi nomeado Bispo de Pernambuco em 1738, sagrado na Sé de Lisboa, cargo ocupado entre 1739 e 1753. Foi verdadeiro pastor, visitando todas as povoações do interior e executou reformas da moral e dos costumes, sobretudo a protecção das escravas contra os despudores de que eram vítimas. Tutelou várias casas de clausura femininas, como o Recolhimento do Paraíso dos Afogados e o de Nossa Senhora da Conceição de Olinda, e envolveu-se pessoalmente em querelas, nas quais representou e defendeu as escravas. Os poderosos de Pernambuco exigiram do rei D. José sua remoção. De volta a Lisboa, retirou-se para a Quinta da Granja da Paradela (ou do Barruncho), em Loures, propriedade de sua sobrinha Antónia Mariana Teresa Salgado de Vargas, onde morreu em 1759. Foi sepultado no Convento de S. João da Cruz de Carnide, na Capela-Mor. Foi sugerida sua beatificação. Anexo o retrato imaginário de frei Luís.

 



 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 


BENITO BAD BUNNY – QUE GRATA SURPRESA!

Na revista National Geographic li sobre uma comunidade oculta entre montanhas texanas que era um fóssil sociológico, inclusive falava o espanhol do tempo de Cervantes. Bem mais tarde, em Houston, contestei um historiador local que dizia ser o Alamo marco da vitória contra invasores mexicanos. Acrescentei que o próprio Houston, para nós latinos, poderia ser classificado como genocida. Ele educadamente se desculpou. Recentemente Trump mudou, como dono do mundo, o nome do Golfo do México para Golfo dos EUA. Certa vez, um colega regressado dos EUA aconselhou quem pretendesse estagiar lá evitar, como ele, os latinos. Perguntei como conseguiu, se sua aparência era de chicano. Em Miami, na Universidade, expus nossa inovação no ensino e repeti várias vezes Florída, com acento no i, e não Flórida, e também Miami e não Maiami – com aplauso de estudantes e docentes. Visitando ali vários hospitais universitários, anotei uma hierarquia de auxiliares, para cada pavimento, de cima pra baixo: brancos, latinos, pretos e, no porão, asiáticos. Nas artes, anotei que gente de sucesso, até mesmo italianos, anglicizavam seu nome para a mídia. Francesco Alberto era Frank Sinatra, Concetta Franconero era Connie Francis, Antonio Benedetto era Tony Bennett, enquanto a boliviana Raquel Tejada era Raquel Welch e os mexicanos Antonio Oaxaca era Anthony Quinn e Margarita Cansino era Rita Hayworth. As canções latinas Comme d'Habitude e O Sole Mio são travestidas em My Way e It´s Now or Never. Agora, súbito, o popstar porto-riquenho Bad Bunny (Benito, por enquanto anglicizado), lava a alma dos latinos em estrondoso show, na final do futebol americano (NFL), proclamando, EM ESPANHOL, seu orgulho ibero-americano.

https://youtu.be/kJl2ICLpj00

https://youtu.be/eQSNVBLTXYY

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

 




FAMÍLIAS DO ZICO TONELLI E DO JOÃO SALGADO

João Amílcar Salgado

O ilustre nepomucenense e professor de engenharia da USP, Jaime Flávio Pimenta, me enviou seu precioso estudo intitulado FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DA FAMÍLIA DE EDWARD TONELLI. O Jaime, depois de aposentado, passou a erudito genealogista da gente da Vila - sábia maneira de homenagear sua cidade natal. A família do patriarca Zico Tonelli é “irmã” de minha família. Na juventude deles, os dois Joões, João Tonelli e João Salgado, fundadores do América, além de futebolistas, foram aplaudidos também por estarem noivos das duas moças mais bonitas do lugar: Dulica  e Vange, respectivamente Maria das Dores Silva e Evangelina Alves Vilela. Os filhos mais jovens do Zico e os filhos do Salgado  foram criados juntos: a Aparecida foi colega de sala do João Amílcar, no Grupo Escolar, o Edward foi colega de ginásio da Neusa e do José Aníbal, enquanto a Maria Luzia e a Neusa repetiram as mães, como duas beldades adolescentes. Tais jovens ficaram unidos pela orfandade, com o falecimento precoce da Dulica e do Zico, sendo que este se foi, logo após a morte também precoce do Salgado. O Edward Tonelli seguiu os passos do João Amílcar na carreira universitária, na UFMG. Alcançou como cientista, a aclamação de maior infectologista pediatra nacional, autor do livro DOENÇAS INFECCIOSAS NA INFANCIA (1987), cujo primeiro capítulo é do João Amílcar. O Edward, inclusive, é um dos heróis brasileiros da erradicação da pólio (1990). Agradeço imensamente ao Jaime e deixo à sua inesgotável competência o desafio de verificar a hipótese de que a Dulica e a Vange são parentes, caso seja verdadeira a origem comum dos Silva da Vila e de Lavras.