João Amílcar Salgado

sexta-feira, 15 de maio de 2026

 


CRITÉRIOS PARA A INSTALAÇÃO DE UM CTI

João Amílcar Salgado

O Luiz Eduardo Miranda Gonzaga, colega e amigo, me perguntou sobre o critério para a criação de um CTI. Respondi que o único critério é a necessidade. Vamos lembrar o surgimento da tecnologia médica. Os instrumentos de madeira, osso, pedra ou metal, foram desenvolvidos ao longo dos milênios, como  a pinça, a sonda, a seringa, a lanceta, a ventosa, o sarjador, o termômetro, o estetoscópio, o bulbo, a lupa, o esfigmomanômetro, o eletrocardiógrafo e os endoscópios. Cada invenção ou cada aperfeiçoamento era avaramente trancado contra o furto ou a cópia - e com o fim de algum lucro. Aos poucos eram simplificados para afinal serem acondicionados na maleta do terapeuta. Um de meus estudos, para a tese de doutorado, foi sobre tecnologia simplificada e descentralizável ou periferizável. Eu mesmo participei do advento da periferização do laboratório clínico e da miniaturização do eletrocardiógrafo, bem como da busca do ultrassonógrafo manual e da flexibilização do endoscópio. Ainda não atingimos o mesmo para a tomografia. Como antes referi, participei da instalação do primeiro CTI brasileiro na UFMG, e, nele, do primeiro tratamento intensivo, com sucesso, de tétano grave e ainda os primeiros  casos de ofidismo e raiva. Também instalamos o primeiro tratamento intermediário, depois chamado semi-intensivo. Um dos primeiros pacientes era nepomucenense, como o do tétano.  Os tratamentos intensivo, semi-intensivo e básico compõem o Cuidado Progressivo do Doente defendido pela OPAS/OMS, de que me tornei referência.

Respondi ao Luiz, admirável combatente pela atenção à saúde, que o único critério é a necessidade, mas, na medicina comercial, os planejadores só instalam um CTI, em algum lugar menor ou remoto, se o lucro certo for bem alto.

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