CRITÉRIOS
PARA A INSTALAÇÃO DE UM CTI
João Amílcar Salgado
O Luiz Eduardo Miranda Gonzaga, colega e amigo, me perguntou sobre
o critério para a criação de um CTI. Respondi que o único critério é a
necessidade. Vamos lembrar o surgimento da tecnologia médica. Os instrumentos de
madeira, osso, pedra ou metal, foram desenvolvidos ao longo dos milênios, como a pinça, a sonda, a seringa, a lanceta, a
ventosa, o sarjador, o termômetro, o estetoscópio, o bulbo, a lupa, o
esfigmomanômetro, o eletrocardiógrafo e os endoscópios. Cada invenção ou cada
aperfeiçoamento era avaramente trancado contra o furto ou a cópia - e com o fim
de algum lucro. Aos poucos eram simplificados para afinal serem acondicionados
na maleta do terapeuta. Um de meus estudos, para a tese de doutorado, foi sobre
tecnologia simplificada e descentralizável ou periferizável. Eu mesmo
participei do advento da periferização do laboratório clínico e da
miniaturização do eletrocardiógrafo, bem como da busca do ultrassonógrafo
manual e da flexibilização do endoscópio. Ainda não atingimos o mesmo para a
tomografia. Como antes referi, participei da instalação do primeiro CTI
brasileiro na UFMG, e, nele, do primeiro tratamento intensivo, com sucesso, de
tétano grave e ainda os primeiros casos
de ofidismo e raiva. Também instalamos o primeiro tratamento intermediário,
depois chamado semi-intensivo. Um dos primeiros pacientes era nepomucenense,
como o do tétano. Os tratamentos
intensivo, semi-intensivo e básico compõem o Cuidado Progressivo do Doente
defendido pela OPAS/OMS, de que me tornei referência.
Respondi ao Luiz, admirável combatente pela atenção à saúde, que o
único critério é a necessidade, mas, na medicina comercial, os planejadores só
instalam um CTI, em algum lugar menor ou remoto, se o lucro certo for bem alto.

Nenhum comentário:
Postar um comentário