João Amílcar Salgado

segunda-feira, 1 de junho de 2026

 

POSTAGEM DE CARLOS AMÍLCAR SALGADO


Em 30/5/26, participei da reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), espaço estratégico de pactuação do Sistema Único de Saúde, onde União, estados e municípios constroem conjuntamente os caminhos da saúde pública brasileira.

A reunião foi marcada por decisões relevantes para o fortalecimento do SUS, entre elas a pactuação de uma política inédita de atenção à população em situação de rua, reafirmando o compromisso do sistema com a equidade, a inclusão e a proteção das pessoas em maior vulnerabilidade social.

Também avançamos na modernização da Assistência Farmacêutica em Oncologia, com a pactuação de diretrizes que contribuirão para ampliar a organização, a segurança e a continuidade do acesso aos medicamentos oncológicos em todo o país.

Outro destaque foi a instituição da Câmara Técnica de Dispositivos Médicos, que apoiará a estruturação dos investimentos estratégicos nessa área para o SUS.

Ao final da reunião, o Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, anunciou a desospitalização dos últimos internos do antigo Hospital Colônia de Barbacena, um dos símbolos mais dolorosos da história da assistência psiquiátrica brasileira.

Na sequência, leu o “Discurso para todos os homens, exceto os loucos”, inscrito em uma placa do Museu da Loucura, em Barbacena.

Nesse momento, fui tomado por profunda emoção, pois esse poema é de autoria de meu pai, João Amílcar Salgado.

A obra aborda a exclusão no contexto do desenvolvimento da civilização, evidenciando a falta de solidariedade e o isolamento imposto aos loucos.

Transcrevo aqui em sua íntegra o poema:

“Discurso para todos os homens, exceto os loucos

Quando o homem teve consciência de que dominava a agricultura, ele condenou o infanticidio, exceto o assassinato da criança louca.

Quando o homem teve consciência de que era capaz de civilizar-se, ele condenou o homicídio, exceto o assassinato do adulto louco.

Quando o homem teve consciência de que fazia parte do gênero humano, ele inventou a solidariedade, exceto para com o homem louco.

Quando o homem propôs indulgência para quem beijasse uma ferida, ele inventou o hospital, exceto o asilo de loucos.

Quando o homem levou milhares de anos para ter consciência de sua razão, ele ousou declarar universais os direitos de qualquer homem, exceto os dos loucos.

Quando o homem teve consciência de que os agrupamentos humanos dispunham cada vez mais de conforto e lazer, maior foi sua necessidade de se livrar da presença e até da lembrança dos loucos - daí que a segregação dos loucos é intrínseca e não contraditória a modernização da sociedade".

Há momentos em que a história institucional e a história pessoal se encontram.

Ontem foi um deles!

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