LEÃO 14 EM NICEIA
João Amílcar Salgado
Leão
14 acaba de visitar Niceia (28/11/25) e isso me remete a meus estudos de
filosofia, pedagogia e história da medicina. O concílio de Niceia, em 325, sob
Constantino, estatuiu o credo católico, dogmatizando a divindade do filho de
Deus. Décadas depois, em 510, Boécio especificou a santíssima Trindade em “De
Trinitate”. Muito me emocionou a descoberta, em 2013, da ruína submersa da basílica
conciliar de Niceia, que também emocionou o papa. Estudei o início da medicina ocidental, quando,
na época desse concilio, ela se distanciou do dogmatismo religioso. Isso
ocorreu em Nisibe, localidade próxima, onde religiosos acusados de hereges e
jurados de morte, usaram de incrível habilidade para contornar ameaças e
conflitos: criaram instituições leigas
adogmáticas, dedicadas ao cuidado de enfermos. Os médicos aí formados ficaram
tão famosos que foram chamados, em 762, a Bagdá pelo califa Al Mansur, donde a
medicina abássida se transformou na medicina do ocidente. A competência médica ali
concentrada adveio de seletas práticas hipocráticas, de riquíssimas bibliotecas
e da tradução de textos medicinais de todas as línguas. Além de Nisibe,
institutos similares, protegidos por dirigentes esclarecidos ou liderados por
homens geniais, como Santo Efraim, devem ser lembrados. Cito especialmente dois:
a proto-universidade persa de Bendosabora, fundada pelo xá Sapor, em 271, e, na
Europa, o Mosteiro de Vivarium, fundado, no século 6º, pelo genial romano Cassiodoro,
na Calábria.
Já
para minha proposta de equipe mínima de três médicos, destinada a pequenas
cidades, cheguei a Boécio e à virtude do grupo de três. Em outro texto, exponho
o resumo desta numerologia.

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