João Amílcar Salgado

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

 

ROBERTO DRUMMOND – SUA ESTÁTUA FOI VANDALIZADA


João Amílcar Salgado

Em 22/12/25 a estátua de Roberto Drummond, na praça da Savassi, foi vandalizada. Roberto está ligado a Nepomuceno através da carreira de nosso artista Jarbas Juarez, desde a revista Alterosa, e da amizade comigo. Roberto era diretor do Diário de Minas e pagava tiras de cartum para que o Jarbas narrasse as aventuras do Nosaurinho, um dinossauro malandro. A descontinuidade levou à ameaça de desligamento do autor,  que alegou ser sua criatividade incompatível com qualquer calendário. Em conciliação, propôs ser substituído por um amigo muito jovem, muito magro na época e muito talentoso, o Henriquinho. Com isso inaugurou  a carreira do Henfil (Henrique Filho). Há a lenda de que seu livro HILDA FURACÃO (1991) surgiu de nossa conversa na barbearia do Gonçalves e do Tite, sobre o romantismo dos anos dourados. Foi quando mencionei a fofoca murmurada por direitistas católicos (TFP) de que o frei Mateus teria frequentado furtivamente a zona boemia. E o Roberto, como tremendo ficcionista, teria exclamado: vou ligar o frei à Hilda. Minha arriscada proposta era mais que isso: incluir no enredo a hipótese de que a Hilda era neta ou bisneta do bandoleiro nepomucenense Urias Maia. O querido Roberto está ligado para sempre à história do Atlético Mineiro pelo tropo: SE HOUVER UMA CAMISA PRETA E BRANCA PENDURADA NO VARAL DURANTE UMA TEMPESTADE, O ATLETICANO TORCE CONTRA O VENTO.

Roberto morava na rua  Rio Grande do Norte e eu, na rua vizinha. No meu prédio morava, meu querido colega médico, José Coelho de Santana, exatamente o pai do genial Leo Santana, que esculpiu o Roberto. Este iniciou um edema pulmonar, achou que era gripe e um colega da redação lhe ofereceu uma cartela de antigripal, com alto teor de efedrina. Ele, achando que a gripe era forte, ingeriu dois comprimidos e faleceu.

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