João Amílcar Salgado

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

 

TRUMP IMPERADOR DA TERRA

JOÃO AMÍLCAR SALGADO 



Quando vi e ouvi o Trump pela primeira vez, minha reação foi lembrar-me do Reagan. Enquanto este era sósia do nepomucenense Passata, Trump me evocou o Maluco Beleza. Errei quando o supus apenas uma figura engraçada, mas logo percebi nele algo de sinistro e ameaçador.  Bem antes, em 1986, eu estava nos EUA e, em conversa com um grande cientista, ouvi dele: “Peço a você desculpas por termos esta desastrada figura do Reagan como presidente ele é perigosíssimopode acabar com a humanidade inteiraé muito mais perigoso que o Nixon. Tenho vergonha de termos eleito esses dois bandidos para presidentes”. Um igual ou pior foi eleito em 2016.

Minha infância foi vivida em plena 2ª guerra mundial e testemunhei a torcida de meu pai pela derrota do nazismo. O italiano Ambrósio Tagliaferri dizia que nossa farmácia era o Comando Aliado da Vila, onde todos tinham notícia das batalhas. Meu pai admirava muito Franklin Roosevelt, garantindo que ele foi decisivo na derrota de Hitler. Mais tarde, os assassinatos de John (1963) e Bob Kennedy (1968) e de Luther King (1968), me mostraram a verdadeira realidade ianque. Esses acontecimentos, somados ao vergonhoso armistício da guerra da Coreia (1953), à humilhante derrota norte-americana no Vietnã (1975), ao impensável ataque às Torres Gêmeas (2001), aos fiascos no Afeganistão (2001), no Iraque (2003) e na Líbia (2011) e à invasão do Capitólio (6-1-1921) hoje me levam a retomar os estudos históricos, que comecei, ainda na universidade, sobre o assassinato de Abraão Lincoln (1865).

Meu foco é a contradição entre, de um lado, a ideologia democrática, libertária e igualitária da DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS EUA (1776) e, de outro, as quatro nódoas: 1) da manutenção da escravidão, 2) do porte de armas 3) do genocídio indígena e 4) da diplomacia do big stick contra os ibero-americanos. A melhor referência a esse persistente beco-sem-saída foi feita por um brasileiro, Monteiro Lobato, no livro O PRESIDENTE NEGRO (1926), em que prevê um negro como presidente dos EUA, profecia antecipada com Barack Obama (2009-2017). Obama, por sinal, nasceu por influência da admiração de sua mãe pelo ator brasileiro Breno Melo. Em 1980, em viagem aos EUA, procurei dados dos estudos que, em Houston, comparavam as taxas diferenciais de natalidade do país. Quase indignados com minha curiosidade, os pesquisadores responderam que eram estudos sigilosos.

Muitos definem o Trump como um extremista, negacionista e isolacionista (antiglobalista), que usou e usa muito bem a comunicação coletiva, inclusive as “fake news”, para o DISCURSO DO ÓDIO. Esta será uma definição imprecisa, se não for especificado o que significa esse tal de discurso do ódio. A especificação consiste em que todo extremista só será bom extremista se conseguir empurrar para o extremo oposto todas as demais pessoas. Exatamente o apelo ao ÓDIO vem a ser o instrumento adequado para assim coagir e intimidar os que não participam de sua turma. Para espanto dos historiadores, esse fenômeno obrigou o trumpismo a rotular de esquerdistas e comunistas, desde o Partido Democrata, inclusive Joe Biden e Kamala Harris, os políticos social-democratas europeus, até os maiores magnatas do mundo, como George Soros, Bill Gates e outros. Nesta lista seria inevitável incluir gente como os peregrinos coletivistas, todos os declaradores da Independência, o citado Roosevelt, os assassinados citados, o profeta Isaias, os beneditinos, os franciscanos, os jesuítas, os papas Leão 13, João 23, Paulo 6º e Francisco, a maior parte dos 614 bilionários dos EUA e a totalidade dos 456 bilionários da China. Aliás, alguém tem de dizer ao Trump que o atual gigantismo da China, tão temido por ele, foi ingenuamente iniciado e propiciado por Nixon e Reagan, dois presidentes conhecidos pelo fanatismo anticomunista.

              EM 21/1/21 DIVULGUEI O TEXTO ACIMA, QUE FOI RATIFICADO EM 30/5/24, QUANDO TRUMP FOI OFICIALMENTE DECLARADO CRIMINOSO POR TRIBUNAL DE SEU PRÓPRIO PAÍS. APESAR DISSO, NÃO FOI IMPEDIDO DE CANDIDATAR-SE A PRESIDENTE E DE SER EMPOSSADO REELEITO EM 2024. ESTA DATA, PARA MUITOS, DEMARCA O COMEÇO DO FIM DA DEMOCRACIA ESTADUNIDENSE.  COMEÇOU ACOVARDANDO O MUNDO INTEIRO COM TARIFAÇOS E AGORA ZOMBA DAS LEIS INTERNACIONAIS INTERVINDO, EM 3/1/26, NA AMÉRICA DO SUL E AMEAÇANDO ANEXAR A GROENLANDIA, SENDO QUE ANTES AMEAÇOU ANEXAR O CANADÁ.  COM ISSO AUTORIZARIA A CHINA A ANEXAR TAIWAN, PORTUGAL A ANEXAR GOA OU A ARGENTINA A REANEXAR AS MALVINAS. TRUMP SE AUTOCANDIDATOU AO NOBEL DA PAZ, OMITINDO QUE SUBSTITUIU O DEPARTAMENTO DA DEFEZA PELO DEPARTAMENTO DA GUERRA. SUA PAZ É A “PAX TRUMPANA”, NOSTÁLGICA DA “PAX ROMANA” E DA “PAX BRITANNICA”. O RESULTADO DESSE DELÍRIO SERÁ A PERESTROIKA/GLASNOT OCIDENTAL.

OS GOVERNANTES DE TODO O MUNDO ESTÃO ASSOMBRADOS PELO FATO DE QUE O ANO DE 2026 SE INICIA NÃO COM A PAZ E O PROGRESSO. MAS COM PUTIN, NETANYAHU E TRUMP SENDO VITORIOSOS EM FAZER A HISTÓRIA REGREDIR À LEI DO MAIS FORTE, RESPALDADA PELA ABERRAÇÃO ÉTICA DE QUE OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS E PELA CABISBAIXA ACEITAÇÃO DE QUE “QUEM PODE MANDA E OBECECE QUEM TEM JUIZO”.

 

 

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