ROBERTO DRUMMOND – SUA ESTÁTUA FOI VANDALIZADA
João
Amílcar Salgado
Em 22/12/25 a estátua de Roberto Drummond, na praça
da Savassi, foi vandalizada. Roberto está ligado a Nepomuceno através da
carreira de nosso artista Jarbas Juarez, desde a revista Alterosa, e da amizade
comigo. Roberto era diretor do Diário de Minas e pagava tiras de cartum para
que o Jarbas narrasse as aventuras do Nosaurinho, um dinossauro malandro. A
descontinuidade levou à ameaça de desligamento do autor, que alegou ser sua criatividade incompatível
com qualquer calendário. Em conciliação, propôs ser substituído por um amigo
muito jovem, muito magro na época e muito talentoso, o Henriquinho. Com isso
inaugurou a carreira do Henfil (Henrique
Filho). Há a lenda de que seu livro HILDA FURACÃO (1991)
surgiu de nossa conversa na barbearia do Gonçalves e do Tite, sobre o
romantismo dos anos dourados. Foi quando mencionei a fofoca murmurada por
direitistas católicos (TFP) de que o frei Mateus teria frequentado furtivamente
a zona boemia. E o Roberto, como tremendo ficcionista, teria exclamado: vou
ligar o frei à Hilda. Minha arriscada proposta era mais que isso: incluir no
enredo a hipótese de que a Hilda era neta ou bisneta do bandoleiro
nepomucenense Urias Maia. O querido Roberto está ligado para sempre à
história do Atlético Mineiro pelo tropo: SE HOUVER UMA CAMISA PRETA E BRANCA PENDURADA NO
VARAL DURANTE UMA TEMPESTADE, O ATLETICANO TORCE CONTRA O VENTO.
Roberto morava na rua Rio Grande do Norte e eu, na rua vizinha. No
meu prédio morava, meu querido colega médico, José Coelho de Santana,
exatamente o pai do genial Leo Santana, que esculpiu o Roberto. Este iniciou um
edema pulmonar, achou que era gripe e um colega da redação lhe ofereceu uma
cartela de antigripal, com alto teor de efedrina. Ele, achando que a gripe era
forte, ingeriu dois comprimidos e faleceu.





