João Amílcar Salgado

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

 

EXPOSIÇÃO DE FOTOS SOBRE A AMAZONIA

 SEBASTIÃO SALGADO

NO SESC SP


Após ter terminado Gênesis, sua exploração fotográfica da natureza ainda intacta do nosso planeta, Sebastião Salgado orientou seu olhar em direção ao seu país natal, o Brasil, e mais precisamente a Amazônia. A fim de realizar esse novo projeto, ele passou longas temporadas junto com doze comunidades indígenas isoladas, navegou no gigantesco Rio Amazonas e seus afluentes e sobrevoou a densa floresta tropical com suas fronteiras montanhosas mais áridas. Foram sete anos de trabalho, ao término dos quais todas as fotos e imagens ficaram prontas. Terça a sábado, das 10h às 21h; Domingo e feriado, das 10h às 18h. Até 10 de julho, 2022.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

 

 


PLÍNIO, NELSON, NEVILLE E JABOR

João Amílcar Salgado

Logo que o Arnaldo Jabor começou a fazer sucesso como cronista de tevê, eu estava com a ideia de escrever um ensaio sobre ética em nossas artes cênicas. De início eu estudaria a ética presente nas obras de Plínio Marcos (autor de DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA, 1966), Nelson Rodrigues (autor de O BEIJO NO ASFALTO, 1961) e Neville d´Almeida (tricordiano, parente dos Almeidas nepomucenenses, autor de RIO BABILONIA, com roteiro do também mineiro Ezequiel Neves, 1982). Como Jabor não deixava de ser dramaturgo, resolvi estudar os quatro. Meu interesse pelo carioca Jabor veio 1) de suas crônicas provocantes, 2) de ter também levado Nelson ao cinema e 3) do fato de que a família libanesa dos Jabbur está presente em nossa cidade vizinha de Passos. Ali nasceu o arquiteto modernista Dáude Jabbur, praticamente desconhecido, que foi colaborador de Lúcio Costa.

O esboço desse estudo ficou na gaveta e hoje, 15/2/22, com o falecimento do Jabor, me lembrei disso. Para mim, o melhor deste cineasta foi EU TE AMO, com tema de Nelson Rodrigues e a atuação de César Pereio e Sônia Braga, dos quais sou fã. Foi um expositor fascinante e prendia a todos com sua obstinada busca de congruência ética, embora não raro escorregasse em incongruências. Sua mensagem significa tudo isso: NÃO QUERO MORRER PARADO NA VERDADE

 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

 

SEPÉ TIARAJU – HERÓI TANTO QUANTO TIRADENTES

João Amílcar Salgado


Há mais de 200 anos, em 7/2/ 1756, ocorreu o martírio de um dos maiores heróis brasileiros, o índio SEPÉ TIARAJU, em suplício semelhante ao do inca Tupac Amaru (1572), do Negro Cascalho (1760), de Felipe dos Santos (1720), de Tiradentes (1792), de Chaguinhas (1821) e de frei Caneca (1825). Nessa época, a Espanha e Portugal entraram em acordo sobre suas colônias e aproveitaram para destruir uma das experiências sociais mais extraordinárias da história: as missões dos Sete Povos, empreendida pelos jesuítas. Essa destruição culminou nesse dia, o do assassinato do líder indígena.

Muito me envergonho de que parte de meus ascendentes sejam ligados aos genocidas autores desse crime.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

 

 

ARROZ AMARGO & CAVALO VELHO

João Amílcar Salgado

Na década de 50 do século 20, entrou em cartaz, em BH, a fita italiana ARROZ AMARGO, com a bela atriz SILVANA MANGANO. Éramos vestibulandos, e todos saímos do filme apaixonados pela Silvana, que nos conquistou dançando CABALLO VIEJO (ver vídeo anexo). Depois, fomos os primeiros a entrar no cine para vê-la dançando e cantando o BAIÃO DE ANA.   Meu querido primo Carlinhos Manoel quis desistir do vestibular de direito para viajar à Itália atrás da Silvana. Foi um custo aplacar sua paixonite.  O cinema italiano estava em alta e nossa Silvana infelizmente foi ofuscada pela Gina Lollobrigida, pela Sophia Loren e pela Claudia Cardinale. Das 4 estonteantes beldades, a Silvana era a mais nepomucenense. E no país houve uma epidemia de Silvanas.

https://youtu.be/7M6XAYQmLuA


 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

FUSCA ELÉTRICO DE 4 PORTAS

João Amílcar Salgado

Em Nepomuceno foi inventada pelo genial João Vilela a viabilidade do tróleiibus. Esta cidade já foi a terra do jipe e do fusca. O jipe foi inventado em Minas por um jovem negro ainda anônimo. A Vila já foi a capital da capota perfeita para jipe, inventada pelo Dito Capoteiro (Benedito Barbosa). O primeiro a falar no fusca por aqui foi meu pai, quando descrevia, na sua farmácia, a façanha do memorável general Erwin Rommel, com novo veículo refrigerado a ar. Ainda hoje há numerosos admiradores do jipe e do fusca, um deles eu. Meu fusca azul 65 tem placa preta. Neste começo de 2022, é anunciado o fusca elétrico de 4 portas, a ser fabricado pelos chineses em São Paulo. Que acham disso o Renato Tonelli e demais fuscólogos da Vila?



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

ELZA, ARI, FOME E DEUS

João Amílcar Salgado

     Vestindo andrajos e em estado de grande pobreza, a futura cantora Elza Soares (Elza Gomes da Conceição) decidiu, em 1953, apresentar-se no programa Calouros em Desfile de Ari Barroso. Diante daquela estranha figura, ele pergunta: “Minha filha, de que planeta você veio?” Resposta que calou o riso da plateia: “DO PLANETA FOME”. Depois de seu canto, em vez de ser “gongada”, a jovem ouviu dele: “nasce uma estrela”. Pioneira feminista, Elza disse a um entrevistador, que quis consolá-la da morte do filho: “Cê disse que Deus é pai, errou, porque Deus é mãe”. A mulher oriunda do planeta fome e filha de Deus-mãe, faleceu em 20/2/22, aos 91 anos, aplaudida no Brasil e pelo mundo afora.

            Ari Barroso, imortal sambista mineiro, autor de Aquarela do Brasil, Na Baixa do Sapateiro e Na Batucada da Vida, tem parentesco com gente de Nepomuceno. Ele é Resende e, portanto, ligado a nossos Resendes, Garcias e Ribeiros. Sua esposa Ivone Arantes é ligada aos que, na Vila, descendem dos Arantes. Meu pai não perdia seu programa. Ari divulgou uma versão metálica da flauta andina (em bambu), para comemorar os gols do Flamengo – e todo menino, como nós, azucrinava com ela todas as pessoas da casa e da rua. Ele cometeu outros erros, quando gongou Nelson Gonçalves. Angela Maria, Luiz Gonzaga, Vinícius de Morais e outros. Foi perdoado principalmente quando sua música Risque foi estrondoso sucesso na voz exatamente do Nelson, cuja gagueira ridicularizou.

 

 

 

 



sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

 


O ADMIRÁVEL CLÃ DOS BERNARDES

João Amílcar Salgado

João Bernardes Caminha era conhecido pelo povão da Vila como João Bernardo. Menino ainda, eu gostava de ouvir a prosa dele com meu pai, na farmácia. Ele era um curandeiro de prestígio e percebi que meu pai lhe fez uma espécie de pós-graduação em farmácia galênica. Perguntou: “Sargado, as pessoas acham que sou parente do presidente Artur Bernardes, tem jeito de provar? Resposta: “ô João, você não precisa ser parente dele pra ser importante, porque você já é parente do Pero Vaz de Caminha; mas você é parente do Artur, sim, não só você como também todos os Bernardes mineiros, tudo gente que veio pra São João del Rei procedente de Braga, Portugal, na pessoa de Pedro Bernardes Caminha, e para lá chegaram da França”.  – “então eu sou francês?” – “é sim e sua vocação de curador vem de um seu primo francês que revolucionou a medicina, chamado Cláudio Bernardo”.

Liguei-me muito aos Bernardes pelos meus primos Bernardes Lima Salgado, filhos de nosso vizinho da rua de cima, João Teófilo Salgado - aclamados personagens (Zé, João, Paulo, Maria, Teresa) de meu livro O RISO DOURADO DA VILA.  Mais famigerado ainda é o primo deles, Vítor Bernardes Menezes, célebre como o caçador e humorista Vito Paca. Também caçador e humorista é outro primo, o Iô da Rita (João Bernardes Sobrinho). Sendo sobretudo branquelos, nada mais apropriado que a belíssima organista dessa gente se chame Branca. Para coroar, cito o Olivério José Bernardes dos Reis, que figura no pódio do pioneirismo ecológico, em Minas, ao lado do fundador da cidade, Mateus Garcia. E, entre as estupendas mulheres de nossa história, pontifica a Sinhaninha Bernardes dos Reis, a matriarca dos Rodrigues. Ela disse ao filho Paulo que a nossa farmácia era como se fosse a continuação da casa dos Rodrigues, dos Bernardes e dos Amorellis.

Pesquisei outros Vitos Pacas pela internete. Um deles é o ilustre engenheiro sanitarista Víctor Paca. Não se trata de alcunha, mas de sobrenome de antiga e importante família de Navarra, Espanha, sendo seu nome completo Victor Hugo da Motta Paca. Outros dois são Victor Paca, cantor dominicano conhecido por sua bela voz, em músicas românticas, e Víctor Paca, de Cabinda (Angola), onde a família Paca é proeminente.