João Amílcar Salgado

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

 


CELEUMA NA PENA DE MORTE

João Amílcar Salgado

Escandalosa falha na execução da pena de morte ocorreu em 30 de setembro de 2026, no Tennessee, EUA, quando a condenada Christa Pike  sobreviveu à injeção de duas doses reiteradas de pentobarbital. Isso me fez lembrar que, em 1986, eu estava na Universidade Estadual da Pensilvania numa reunião, cujo tema principal era a humanização da medicina. O coordenador disse que eram pioneiros na área desde 1967 e soube de algo parecido no Brasil. Pediram-me para expor e iniciei dizendo que vinha acompanhando tal preocupação geral no mundo, desde o agravamento do consumismo em saúde. Sugeri que o desafio ali então era resolver pelo menos cinco questões.

1. Se a medicina ocidental tem origem hipocrática, ela é humanizada de nascença. Se isso é fato, por que veio sendo desumanizada a ponto de necessitar ser humanizada novamente?  

2. A ideia de humanizar na área da medicina não é tão nova. Exemplo é a decisão, em 1890, de oficializar a cadeira elétrica (proposta pelo dentista Alfred Southwicke) para a “humanização” da pena de morte, antes efetivada por enforcamento ou fuzilamento. Esta “humanização” foi aprimorada, em 1977, por injeção letal, obviamente prescrita e realizada por médico. A poderosíssima Associação Médica dos EUA proibiu qualquer médico de prescrever ou realizar tal ato. Até o presente, não tenho notícia da punição de qualquer médico executor, muito menos de qualquer punição contra Jay Chapman, o médico legista idealizador.  

3 Tudo é urgente, e mas mais que tudo urge ‘humanizar” o desumano comércio de órgãos e tecidos, especialmente restos abortados de adolescentes, noticiado justo naquela manhã

4. A iniciativa inaugural de George Harrell deve ser aplaudida, mas corrigida. Como não reestruturou a graduação profissional, o mero acréscimo humanizador corre o risco de frustrar o objetivo.

5. A principal reestruturação consiste em substituir os padrões competitivos da formação universitária por padrões cooperativos. Ótimo exemplo dessa inovação é a proposta da formação, ainda na graduação, de equipes mínimas de três médicos, capazes de alta resolubilidade de problemas de saúde, em pequenas cidades.

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