CELEUMA
NA PENA DE MORTE
João Amílcar Salgado
Escandalosa falha na execução da pena de morte ocorreu em 30 de
setembro de 2026, no Tennessee, EUA, quando a condenada Christa Pike sobreviveu à injeção de duas doses reiteradas
de pentobarbital. Isso me fez lembrar que, em
1986, eu estava na Universidade Estadual da Pensilvania numa reunião, cujo tema
principal era a humanização da medicina. O coordenador disse que eram pioneiros
na área desde 1967 e soube de algo parecido no Brasil. Pediram-me para expor e
iniciei dizendo que vinha acompanhando tal preocupação geral no mundo, desde o
agravamento do consumismo em saúde. Sugeri que o desafio ali então era resolver
pelo menos cinco questões.
1. Se a
medicina ocidental tem origem hipocrática, ela é humanizada de nascença. Se isso
é fato, por que veio sendo desumanizada a ponto de necessitar ser humanizada
novamente?
2. A ideia de
humanizar na área da medicina não é tão nova. Exemplo é a decisão, em 1890, de
oficializar a cadeira elétrica (proposta pelo dentista Alfred Southwicke) para
a “humanização” da pena de morte, antes efetivada por enforcamento ou fuzilamento.
Esta “humanização” foi aprimorada, em 1977, por injeção letal, obviamente prescrita
e realizada por médico. A poderosíssima Associação Médica dos EUA proibiu
qualquer médico de prescrever ou realizar tal ato. Até o presente, não tenho
notícia da punição de qualquer médico executor, muito menos de qualquer punição
contra Jay Chapman, o médico legista idealizador.
3 Tudo é urgente,
e mas mais que tudo urge ‘humanizar” o desumano comércio de órgãos e tecidos,
especialmente restos abortados de adolescentes, noticiado justo naquela manhã
4. A iniciativa
inaugural de George Harrell deve ser aplaudida, mas corrigida. Como não
reestruturou a graduação profissional, o mero acréscimo humanizador corre o
risco de frustrar o objetivo.
5. A principal
reestruturação consiste em substituir os padrões competitivos da formação
universitária por padrões cooperativos. Ótimo exemplo dessa inovação é a
proposta da formação, ainda na graduação, de equipes mínimas de três médicos, capazes
de alta resolubilidade de problemas de saúde, em pequenas cidades.

Nenhum comentário:
Postar um comentário