COMEÇO DA ESQUERDA EM NEPOMUCENO E REGIÃO
João Amílcar Salgado
No período colonial a esquerda brasileira foi representada pelas
missões jesuíticas, que implantaram, no sul, aldeamentos organizados numa
espécie de comunismo cristão, coerente com a cultura guarani e inca. Mais ao
norte, os civis esquerdistas eram os republicanos. Chegaram a atos
revolucionários chamados posteriormente de inconfidências, a partir do nome da Inconfidência
Mineira, cujo herói foi o esquerdista Tiradentes (este com vários parentes em
Nepomuceno). No Império, os esquerdistas eram igualmene denominados
republicanos, sendo o principal o médico mineiro Antônio Gonçalves Gomide
(também com parentes em Nepomuceno), notável constituinte inaugural e senador.
Os republicanos se opunham aos monarquistas (direitistas) e aos liberais
(centristas).
Em Três Pontas ficaram conhecidos os ativistas republicanos Cônego José
Maria Rabelo (sucessor do Cônego Vítor) e seu primo, o tabelião João Ferreira
de Abreu Salgado (bisavô do João Amílcar Salgado). Esta linhagem ideológica
chega até aos trinetos.
O ilustre pedagogo Mário de Castro Chaves (avô da Dirce Chaves) fundou
em Boa Esperança o célebre Colégio Dorense, internato e externato, considerado
uma verdadeira universidade, de nível semelhante ao do Liceu Mineiro, Caraça, Colégio D. Bosco e Colégio Santo
Antônio de São João del Rei. Seu filho Renan Chaves recebeu o prenome em
homenagem ao esquerdista francês Ernest Renan. O também poeta Chaves se
considerava parente do inigualavel poeta Castro Alves, o mais ilustre
esquerdista da Bahia, sucedido por João Mangabeira.
Em Nepomuceno, o mais notável republicano foi o Neca Correa (Manoel
Correa Lima, tio bisavô de João Amílcar Salgado) que se celebrizou, ao lado de
liderados, por proclamar a República três meses antes de Deodoro, em S. José do
Rio Pardo, SP. Mais recentemente, importante esquerdista nepomucenense foi o Luís
Barbeiro (Luís Gonzaga da Costa). Ele e os irmãos Nico e Bilica são
descendentes do patriarca lavrense Marnoel da Costa Vale, de qem descendem
também as famílias Ribeiro, Lima, Pedroso e Teófilo. Coligou com Ademar de
Barros, que o fez aliciar camponeses, cada qual recebendo uma enxada. O presidente Jango saboreava a prosa do Luís
e o tratava por comendador. Antonio Pereira, genro do Barbeiro, foi preso no
primeiro dia do golpe de 1964. A Bilia sucedeu o pai Luís, sendo que o
influente político Carlos Eloy a considerava excepcional estrategista eleitoral. O sobrinho da Bilia, o médico Francisco Luís
Costa, foi iniciando do João Amílcar na Faculdade, quando acolitou o esquerdista
Célio Garcia. Ao lado deste, recepcionou o pensador internacional de esquerda
Michel Foucault.

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