João Amílcar Salgado

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

 


OS CHINESES TROCAM O CHÁ PELO CAFÉ OU BEBERÃO AMBOS?

João Amílcar Salgado

Houve um encontro internacional de ensino da medicina no Othon Palace, coordenado pelo meu notável ex-aluno Antônio Cândido de Carvalho, o Cancando.   Este eminente sulmineiro fez questão de servir um café finíssimo. O líder do ensino médico de Xangai provou e quis saber que coisa deliciosa era aquela. O Cancando me chamou para explicar-lhe, ressaltando que eu era cafeicultor. Ele então profetizou que a bebida concorreria com o chá em seu país.  Tempo depois foi noticiado que o consumo de café na China e na Índia está em forte crescimento junto à juventude urbana. A melhora das condições de vida em ambos os países causou o maior consumo do próprio chá e também do café. Se isso continuar acontecendo, os cafeicultores brasileiros seremos agraciados com incalculáveis milhões de novos adeptos de nossa bebida.

            Nos EUA aconteceu conversa semelhante, quando me pediram para falar ali do café de minha região. Fui muito franco ao afirmar que o seu país paga um preço alto por um café fino que não sabe consumir. E garanti que, quando aprendessem a beber aquela maravilha, o consumo que já é alto será muitas vezes multiplicado.

            Bem antes desse evento internacional, esteve entre nós, o cientista prêmio Nobel Alfred Gilman, autor clássico de farmacologia, quando se mostrou fã da nossa cachaça e de nosso café. Perguntei se tinha provado o nosso guaraná. “Vou provar urgentemente”, respondeu. Resumo dessa prosa: ele me convidou para escrever um capítulo sobre café, guaraná e cachaça na próxima edição de seu livro. Perguntaram-me, depois, sobre o capítulo e respondi que o convite tinha sido uma brincadeira.

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