JOSÉ E SEBASTIÃO DE ABREU
JOÃO
CARLOS DI GENIO
O noticiário sobre
o estelionato sofrido pelos herdeiros do magnata João Carlos Di Genio me leva a lembrar este meu
concorrente estudantil. O Di Gênio e eu, na mesma época, passamos em 1º lugar
no concurso vestibular para a medicina, ele na USP e eu na UFMG. E fomos
primeiros em duas faculdades. Nossa proeza nos levou a criar cursos
vestibulares que ensinassem vestibulandos a conquistarem pódio igual. O curso
dele veio a ser uma megaempresa e o meu foi o contrário, ou seja, gratuito no
diretório acadêmico, para vestibulandos carentes. O cursinho dele começou como
Cursinho Objetivo, que se agigantou, tornando se uma universidade, a Unip,
gigantesca. O meu, e de meus comparsas Marcos de Mares Guia, Angelo Machado,
Guilherme Cabral, Lineu Freire Maia, Armando Gil Almeida Neves, Sebastião
Pereira e Jader Siqueira, fez tanto sucesso que se bifurcou na unidade
universitária Colégio Técnico da UFMG e no curso lucrativo Pitágoras. Este se
agigantou como megaempresa também, chegando a mulinacional.
No início da
explosão dos cursos de medicina de fim de semana, avisei a meu amigo Adib
Jatene que seu ex-aluno Di Genio e Drauzio Varella estavam fundando o curso
médico do Objetivo. Para isso faziam lobby no então corrupto Conselho Federal
de Educação. O Adib procurou o Di Genio e este adiou o processo. Mais tarde
Jatene e eu fomos convidados pelo Di Genio para um jantar com o Florestan
Fernandes, eleito deputado com apoio dele. Era para concordarmos com a criação
do curso, com a alegação de que seria de ponta, obedecendo as ideias
pedagógicas do Adib, ou seja, minhas. Meu amigo foi e eu me recusei.
PRIMEIRO HERÓI CONTRA O ASSÉDIO
Neste carnaval de 2026, o
assédio sexual recebeu grande ênfase, oportunidade para lembrar frei LUÍS
SALGADO, o primeiro defensor, no Brasil, de escravas vítimas de tal crime. Frei
Luís de Santa Teresa, ou D. Luís Salgado de Castilho, Carmelita, de Lisboa,
nascido em 1693, diplomado por Coimbra em Filosofia e Teologia, disciplinas que
aí leccionou, mostrando dotes de grande inteligência e erudição. Nomeado
corregedor da cidade, depressa renunciou, para seguir a carreira religiosa,
como carmelita descalço. Passou a mestre no Colégio de S. José de Coimbra, onde
de novo mostrou grande brilho intelectual, e em seguida a Santa Cruz do Buçaco.
Foi nomeado Bispo de Pernambuco em 1738, sagrado na Sé de Lisboa, cargo ocupado
entre 1739 e 1753. Foi verdadeiro pastor, visitando todas as povoações do
interior e executou reformas da moral e dos costumes, sobretudo a protecção das
escravas contra os despudores de que eram vítimas. Tutelou várias casas de
clausura femininas, como o Recolhimento do Paraíso dos Afogados e o de Nossa
Senhora da Conceição de Olinda, e envolveu-se pessoalmente em querelas, nas
quais representou e defendeu as escravas. Os poderosos de Pernambuco exigiram
do rei D. José sua remoção. De volta a Lisboa, retirou-se para a Quinta da
Granja da Paradela (ou do Barruncho), em Loures, propriedade de sua sobrinha
Antónia Mariana Teresa Salgado de Vargas, onde morreu em 1759. Foi sepultado no
Convento de S. João da Cruz de Carnide, na Capela-Mor. Foi sugerida sua
beatificação. Anexo o retrato imaginário de frei Luís.
BENITO BAD BUNNY – QUE GRATA SURPRESA!
Na
revista National Geographic li sobre uma comunidade oculta entre montanhas
texanas que era um fóssil sociológico, inclusive falava o espanhol do tempo de
Cervantes. Bem mais tarde, em Houston, contestei um historiador local que dizia
ser o Alamo marco da vitória contra invasores mexicanos. Acrescentei que o
próprio Houston, para nós latinos, poderia ser classificado como genocida. Ele
educadamente se desculpou. Recentemente Trump mudou, como dono do mundo, o nome
do Golfo do México para Golfo dos EUA. Certa vez, um colega regressado dos EUA
aconselhou quem pretendesse estagiar lá evitar, como ele, os latinos. Perguntei
como conseguiu, se sua aparência era de chicano. Em Miami, na Universidade,
expus nossa inovação no ensino e repeti várias vezes Florída, com acento no i,
e não Flórida, e também Miami e não Maiami – com aplauso de estudantes e
docentes. Visitando ali vários hospitais universitários, anotei uma hierarquia
de auxiliares, para cada pavimento, de cima pra baixo: brancos, latinos, pretos
e, no porão, asiáticos. Nas artes, anotei que gente de sucesso, até mesmo
italianos, anglicizavam seu nome para a mídia. Francesco Alberto era Frank
Sinatra, Concetta Franconero era Connie Francis, Antonio Benedetto era Tony Bennett,
enquanto a boliviana Raquel Tejada era Raquel Welch e os mexicanos Antonio Oaxaca era Anthony Quinn e Margarita Cansino era
Rita Hayworth. As canções latinas Comme d'Habitude e O Sole Mio
são travestidas em My Way e It´s Now or Never. Agora, súbito, o
popstar porto-riquenho Bad Bunny (Benito, por enquanto anglicizado), lava a
alma dos latinos em estrondoso show, na final do futebol americano (NFL), proclamando,
EM ESPANHOL, seu orgulho ibero-americano.
FAMÍLIAS
DO ZICO TONELLI E DO JOÃO SALGADO
João
Amílcar Salgado
O ilustre
nepomucenense e professor de engenharia da USP, Jaime Flávio Pimenta, me enviou
seu precioso estudo intitulado FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DA FAMÍLIA DE EDWARD
TONELLI. O Jaime, depois de aposentado, passou a erudito genealogista da gente
da Vila - sábia maneira de homenagear sua cidade natal. A família do patriarca
Zico Tonelli é “irmã” de minha família. Na juventude deles, os dois Joões, João
Tonelli e João Salgado, fundadores do América, além de futebolistas, foram
aplaudidos também por estarem noivos das duas moças mais bonitas do lugar:
Dulica e Vange, respectivamente Maria
das Dores Silva e Evangelina Alves Vilela. Os filhos mais jovens do Zico e os
filhos do Salgado foram criados juntos:
a Aparecida foi colega de sala do João Amílcar, no Grupo Escolar, o Edward foi
colega de ginásio da Neusa e do José Aníbal, enquanto a Maria Luzia e a Neusa
repetiram as mães, como duas beldades adolescentes. Tais jovens ficaram unidos
pela orfandade, com o falecimento precoce da Dulica e do Zico, sendo que este
se foi, logo após a morte também precoce do Salgado. O Edward Tonelli seguiu os
passos do João Amílcar na carreira universitária, na UFMG. Alcançou como
cientista, a aclamação de maior infectologista pediatra nacional, autor do
livro DOENÇAS INFECCIOSAS NA INFANCIA (1987), cujo primeiro capítulo é do João
Amílcar. O Edward, inclusive, é um dos heróis brasileiros da erradicação da pólio
(1990). Agradeço imensamente ao Jaime e deixo à sua inesgotável competência o
desafio de verificar a hipótese de que a Dulica e a Vange são parentes, caso
seja verdadeira a origem comum dos Silva da Vila e de Lavras.
PAIONE
INESQUECÍVEL
Com
que emoção recebi um preciosíssimo presente de minha queridíssima neta Ana
Luiza, neste natal de 2025!!! Trata-se
do livro “Reminiscências e Histórias de um Varginhense” (2024), escrito por meu
colega de colégio, o jornalista Armindo Paione Sobrinho. Estou lendo cada uma
das páginas, matando imensa saudade. Vejo que deverei comentá-las devagar. Sua família cumpriu o correto dever de
publicar o texto deste oportuno cronista, curioso observador, atento
historiador e diligente educador. Tal iniciativa está em consonância com o
mérito incontestável de quem não poderia ser esquecido.
Na
página 265 encontro o capítulo “Os Quatro Grandes”, no qual me sinto guindado a
um panteão por este generoso colega e amigo. Somos os quatro: Ronaldo Jorge Azze
(USP), João Amílcar Salgado (UFMG), Sérgio Almeida de Oliveira (UFMG, USP) e Sérgio
Mário Regina (USP, UV), três médicos e um agrônomo-ambientalista. Diz Armindo: “[Na
caminhada em busca do saber] me deparei com colegas, contemporâneos e amigos, com
inteligência privilegiada, vasta cultura geral e profissionais bem sucedidos e
famosos. Quatro deles se destacaram e positivamente estão acima dos padrões
normais de inteligência e profissionalismo. Três, por coincidência, são médicos
e um engenheiro agrônomo.”
TRUMP IMPERADOR DA TERRA
JOÃO AMÍLCAR SALGADO
Quando vi e
ouvi o Trump pela primeira vez, minha reação foi lembrar-me do Reagan. Enquanto
este era sósia do nepomucenense Passata, Trump me evocou o Maluco
Beleza. Errei quando o supus apenas uma figura engraçada, mas logo percebi
nele algo de sinistro e ameaçador. Bem antes, em 1986, eu estava nos
EUA e, em conversa com um grande cientista, ouvi dele: “Peço a você
desculpas por termos esta desastrada figura do Reagan como presidente; ele
é perigosíssimo, pode acabar com a humanidade inteira; é
muito mais perigoso que o Nixon. Tenho vergonha de termos eleito esses dois
bandidos para presidentes”. Um igual ou pior foi eleito em 2016.
Minha infância
foi vivida em plena 2ª guerra mundial e testemunhei a torcida de meu pai pela
derrota do nazismo. O italiano Ambrósio Tagliaferri dizia que nossa farmácia
era o Comando Aliado da Vila, onde todos tinham notícia das
batalhas. Meu pai admirava muito Franklin Roosevelt, garantindo que ele foi
decisivo na derrota de Hitler. Mais tarde, os assassinatos de John (1963) e Bob
Kennedy (1968) e de Luther King (1968), me mostraram a verdadeira realidade
ianque. Esses acontecimentos, somados ao vergonhoso armistício da guerra da
Coreia (1953), à humilhante derrota norte-americana no Vietnã (1975), ao
impensável ataque às Torres Gêmeas (2001), aos fiascos no Afeganistão (2001),
no Iraque (2003) e na Líbia (2011) e à invasão do Capitólio (6-1-1921) hoje me
levam a retomar os estudos históricos, que comecei, ainda na universidade,
sobre o assassinato de Abraão Lincoln (1865).
Meu foco é a
contradição entre, de um lado, a ideologia democrática, libertária e
igualitária da DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS EUA (1776) e, de outro, as
quatro nódoas: 1) da manutenção da escravidão, 2) do porte de armas 3) do
genocídio indígena e 4) da diplomacia do big stick contra
os ibero-americanos. A melhor referência a esse persistente beco-sem-saída foi
feita por um brasileiro, Monteiro Lobato, no livro O PRESIDENTE NEGRO (1926),
em que prevê um negro como presidente dos EUA, profecia antecipada com Barack
Obama (2009-2017). Obama, por sinal, nasceu por influência da admiração de sua
mãe pelo ator brasileiro Breno Melo. Em 1980, em viagem aos EUA, procurei dados
dos estudos que, em Houston, comparavam as taxas diferenciais de natalidade do
país. Quase indignados com minha curiosidade, os pesquisadores responderam que
eram estudos sigilosos.
Muitos definem
o Trump como um extremista, negacionista e isolacionista (antiglobalista), que
usou e usa muito bem a comunicação coletiva, inclusive as “fake news”,
para o DISCURSO DO ÓDIO. Esta será uma definição imprecisa, se não for
especificado o que significa esse tal de discurso do ódio. A
especificação consiste em que todo extremista só será bom extremista se
conseguir empurrar para o extremo oposto todas as demais pessoas. Exatamente o
apelo ao ÓDIO vem a ser o instrumento adequado para assim coagir e intimidar os
que não participam de sua turma. Para espanto dos historiadores, esse fenômeno
obrigou o trumpismo a rotular de esquerdistas e comunistas, desde o Partido
Democrata, inclusive Joe Biden e Kamala Harris, os políticos social-democratas
europeus, até os maiores magnatas do mundo, como George Soros, Bill Gates e
outros. Nesta lista seria inevitável incluir gente como os peregrinos
coletivistas, todos os declaradores da Independência, o citado Roosevelt, os
assassinados citados, o profeta Isaias, os beneditinos, os franciscanos, os
jesuítas, os papas Leão 13, João 23, Paulo 6º e Francisco, a maior parte dos
614 bilionários dos EUA e a totalidade dos 456 bilionários da China. Aliás,
alguém tem de dizer ao Trump que o atual gigantismo da China, tão temido por
ele, foi ingenuamente iniciado e propiciado por Nixon e Reagan, dois
presidentes conhecidos pelo fanatismo anticomunista.
EM 21/1/21 DIVULGUEI O TEXTO ACIMA, QUE FOI RATIFICADO EM
30/5/24, QUANDO TRUMP FOI OFICIALMENTE DECLARADO CRIMINOSO POR TRIBUNAL DE SEU
PRÓPRIO PAÍS. APESAR DISSO, NÃO FOI IMPEDIDO DE CANDIDATAR-SE A PRESIDENTE E DE
SER EMPOSSADO REELEITO EM 2024. ESTA DATA, PARA MUITOS, DEMARCA O COMEÇO DO FIM
DA DEMOCRACIA ESTADUNIDENSE. COMEÇOU
ACOVARDANDO O MUNDO INTEIRO COM TARIFAÇOS E AGORA ZOMBA DAS LEIS INTERNACIONAIS
INTERVINDO, EM 3/1/26, NA AMÉRICA DO SUL E AMEAÇANDO ANEXAR A GROENLANDIA,
SENDO QUE ANTES AMEAÇOU ANEXAR O CANADÁ. COM ISSO AUTORIZARIA A CHINA A ANEXAR TAIWAN,
PORTUGAL A ANEXAR GOA OU A ARGENTINA A REANEXAR AS MALVINAS. TRUMP SE
AUTOCANDIDATOU AO NOBEL DA PAZ, OMITINDO QUE SUBSTITUIU O DEPARTAMENTO DA
DEFEZA PELO DEPARTAMENTO DA GUERRA. SUA PAZ É A “PAX TRUMPANA”, NOSTÁLGICA DA
“PAX ROMANA” E DA “PAX BRITANNICA”. O RESULTADO DESSE DELÍRIO SERÁ A
PERESTROIKA/GLASNOT OCIDENTAL.
OS GOVERNANTES
DE TODO O MUNDO ESTÃO ASSOMBRADOS PELO FATO DE QUE O ANO DE 2026 SE INICIA NÃO
COM A PAZ E O PROGRESSO. MAS COM PUTIN, NETANYAHU E TRUMP SENDO VITORIOSOS EM
FAZER A HISTÓRIA REGREDIR À LEI DO MAIS FORTE, RESPALDADA PELA ABERRAÇÃO ÉTICA
DE QUE OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS E PELA CABISBAIXA ACEITAÇÃO DE QUE “QUEM
PODE MANDA E OBECECE QUEM TEM JUIZO”.